O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acendeu um novo capítulo nas tensões diplomáticas com a Europa ao publicar uma imagem gerada por inteligência artificial que provoca aliados internacionais sobre a questão da Groenlândia. A montagem, compartilhada na plataforma Truth Social na segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, mostra Trump ao lado de líderes europeus no Salão Oval, observando um mapa onde a ilha aparece pintada com as cores da bandeira norte-americana.
Uma provocação visual nas redes sociais
Na imagem manipulada, aparecem figuras como o presidente da França, Emmanuel Macron, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. A cena, no entanto, é uma ficção digital. O encontro real entre Trump e esses líderes ocorreu meses antes e teve como pauta principal a guerra na Ucrânia, e não a Groenlândia.
A publicação marca mais um episódio no histórico de Trump de usar conteúdos gerados por IA para criar repercussão política e alimentar debates nas redes sociais. A estratégia coincide com a viagem do republicano a Davos, na Suíça, para o Fórum Econômico Mundial, onde deve se reunir com diversos chefes de Estado europeus.
O interesse na Groenlândia e a escalada da tensão
A polêmica não é nova, mas foi reacendida. Trump reiterou recentemente o interesse dos Estados Unidos na Groenlândia, um território autônomo que pertence à Dinamarca. A posição do ex-presidente tem sido criticada por líderes europeus, que se manifestaram contra qualquer tentativa de controle norte-americano sobre a ilha.
Como resposta à oposição europeia, Trump anunciou a intenção de impor, a partir de fevereiro, uma tarifa de importação de 10% sobre produtos de oito países europeus. A medida é vista como uma retaliação direta ao tema da Groenlândia e elevou o tom do embate comercial.
Diante da crescente tensão, a União Europeia avalia uma resposta dura: o acionamento, pela primeira vez, do chamado mecanismo da “bazuca comercial”. Este instrumento permitiria a adoção de sanções severas, que poderiam incluir:
- A exclusão de empresas norte-americanas do mercado único europeu.
- A imposição de controles rigorosos sobre exportações.
- A suspensão de proteções à propriedade intelectual de empresas dos EUA.
Caso seja implementado, o mecanismo pode afastar os Estados Unidos de um mercado com cerca de 500 milhões de consumidores, ampliando significativamente a guerra comercial entre os dois lados do Atlântico.
Nova imagem e reunião marcada em Davos
Posteriormente, Trump intensificou a provocação com uma segunda imagem gerada por IA. Nela, o republicano aparece segurando a bandeira dos EUA ao lado do secretário de Estado, Marco Rubio, e do vice-presidente, JD Vance, todos diante de uma placa na Groenlândia com a inscrição: “Groenlândia. Território norte-americano”.
Em meio a essa crise, Trump anunciou que terá um encontro com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, especificamente para tratar da situação da Groenlândia. O encontro foi acertado após, nas palavras de Trump, “uma conversa telefônica muito interessante” sobre o tema.
Trump defende a relevância estratégica da ilha com firmeza, declarando: “A Groenlândia é fundamental para a segurança nacional e global. Não há volta. Todos concordamos com isso.” A postura do presidente reflete um ano turbulento de mandato, seu segundo, avaliado por analistas como fora dos padrões habituais e com impactos profundos nas alianças históricas dos Estados Unidos.
Em uma mensagem ao primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, Trump chegou a questionar a posse da Groenlândia pela Dinamarca e afirmou que a OTAN, aliança militar fundamental para Washington, “deveria fazer mais pelos EUA”, deixando claro que não se sente obrigado a pensar apenas na paz nas suas relações internacionais.