Trump reafirma posição dura e acusa Irã de violar cessar-fogo diversas vezes
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a afirmar nesta terça-feira, 21 de abril de 2026, que não pretende estender o cessar-fogo com o Irã, na véspera do acordo expirar. Em declarações à emissora americana CNBC News, Trump deixou claro que os Estados Unidos se encontram em uma posição de negociação "forte" e que chegariam a um acordo que classificou como "excelente".
Prazo apertado e ameaças de retomada de bombardeios
Ao ser questionado sobre a possibilidade de estender a trégua, o presidente americano foi categórico: "Não quero fazer isso. Não temos muito tempo." Ele acrescentou que o Irã "tem uma escolha" e "precisa negociar". Na véspera, Trump já havia afirmado ser "altamente improvável" haver uma prorrogação se os dois países não alcançarem um acordo.
O cessar-fogo expira "na noite de quarta-feira", 22 de abril, apesar desta terça ter sido originalmente anunciada como o prazo máximo quando o acordo se concretizou em 8 de abril. "Não vou me precipitar e acabar fechando um mau acordo", disse Trump à agência de notícias Bloomberg, acrescentando que "certamente" os bombardeios americanos seriam retomados se não houver um acerto.
Acusações mútuas e tensões no Estreito de Ormuz
Em paralelo, Trump postou em sua rede social Truth que o Irã "violou o cessar-fogo diversas vezes". Esta declaração veio após o regime dos aiatolás acusar Washington de desrespeitar os termos da trégua por ter interceptado, com o bloqueio imposto pela Marinha americana ao redor do Estreito de Ormuz, um navio cargueiro iraniano no final de semana.
Anteriormente, o presidente americano já havia feito ameaças contra "todas as usinas energéticas e pontes" do Irã caso não haja acordo até quarta-feira, demonstrando a escalada retórica entre as duas nações.
Incerteza sobre negociações no Paquistão
A possibilidade de uma segunda rodada de negociações permanece incerta. Enquanto uma delegação americana liderada pelo vice-presidente J.D. Vance deve partir rumo ao Paquistão, que atua como mediador, Teerã ainda não confirmou sua participação.
Nesta terça, a TV estatal iraniana informou que nenhuma delegação — "nem primária nem secundária, nem inicial nem de acompanhamento" — havia partido para Islamabad, a capital paquistanesa, que sediou a primeira rodada de negociações.
Informações conflitantes e racha interno no Irã
De acordo com a agência de notícias The Associated Press, porém, mediadores do Paquistão receberam a confirmação de que os líderes de ambas equipes diplomáticas, o vice-presidente americano J.D. Vance e o presidente do Parlamento iraniano Mohammad Bagher Qalibaf, chegarão a Islamabad na manhã de quarta-feira.
O portal de notícias americano Axios reportou que Vance deve decolar rumo ao Paquistão ainda nesta manhã, acompanhado de Steve Witkoff, enviado especial de Trump, e Jared Kushner, genro e conselheiro do presidente. Segundo o Axios, o motivo por trás da protelação iraniana seria um racha interno, em que a Guarda Revolucionária Islâmica, exército ideológico do regime, tem feito pressão sobre os negociadores para que adotem uma postura mais firme.
A Guarda Revolucionária insiste que não pode haver diplomacia enquanto os Estados Unidos mantiverem o bloqueio do Estreito de Ormuz, criando um impasse adicional nas já complexas negociações entre os dois países.



