Trump exige US$ 1 bilhão de Harvard em disputa sobre liberdade acadêmica e antissemitismo
Trump exige US$ 1 bi de Harvard por liberdade acadêmica

Trump intensifica conflito com Harvard e exige indenização bilionária

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou dramaticamente a tensão em sua disputa com a Universidade de Harvard, exigindo uma indenização de US$ 1 bilhão (equivalente a aproximadamente R$ 5,2 bilhões) da prestigiada instituição de ensino. A exigência foi anunciada publicamente na noite de segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026, através da rede social Truth Social, plataforma preferencial do mandatário americano.

Acusações de violação da liberdade acadêmica e antissemitismo

O governo Trump acusa Harvard de promover o que denomina "ideologia woke" e de não proteger adequadamente os estudantes judeus durante as manifestações pró-Palestina que ocorreram em campi universitários americanos em 2024. Estas acusações formam a base legal para as demandas financeiras e as medidas punitivas implementadas pela administração federal.

"Agora estamos buscando 1 bilhão de dólares de indenização e, no futuro, não queremos ter mais nada a ver com a Universidade de Harvard", declarou Trump em sua publicação. O presidente complementou criticando uma proposta anterior da universidade, descrevendo-a como "totalmente inadequada e, em nossa opinião, ineficaz".

Congelamento de verbas e ameaça de corte total de financiamento

Este conflito institucional teve início em abril, quando Harvard se recusou a acatar uma lista de exigências da Casa Branca, argumentando que estas medidas feririam a liberdade acadêmica. Em resposta, o governo Trump congelou um repasse federal de US$ 2 bilhões (cerca de R$ 10 bilhões) destinado à universidade, ameaçando com um corte total e definitivo do financiamento público.

Além das ações financeiras, funcionários do governo apresentaram denúncias judiciais contra Harvard e outras instituições de ensino superior, exigindo pagamentos exorbitantes para encerrar processos legais. Esta estratégia tem sido interpretada por críticos como uma campanha de pressão e coação contra o ambiente acadêmico tradicional.

Reação da comunidade acadêmica e princípios em jogo

Juristas e acadêmicos expressaram profunda preocupação com as implicações deste embate. Lee Bollinger, ex-reitor da Universidade de Columbia, destacou à revista VEJA que "quando as autoridades dizem 'você não pode enveredar por tal caminho porque eu não gosto', violam um princípio sobre o qual se ergueu a própria identidade dos Estados Unidos — o da liberdade radical de pensamento de qualquer natureza".

Bollinger acrescentou que "mais inaceitável ainda é fazê-lo sob a ameaça de subtração de verbas", enfatizando o risco que esta postura governamental representa para a autonomia universitária e para os fundamentos democráticos da educação superior nos Estados Unidos.

Negociações em andamento e possíveis acordos

O jornal The New York Times havia informado anteriormente que negociações prolongadas entre as partes resultaram na retirada temporária da exigência de um pagamento de US$ 200 milhões por parte de Harvard. Em 2025, Trump mencionou a possibilidade de um acordo em torno de US$ 500 milhões (R$ 2,6 bilhões), que obrigaria a universidade a investir o montante em:

  • Pesquisas acadêmicas
  • Escolas profissionalizantes
  • Programas vocacionais e educacionais

O acordo em discussão apresentaria condições específicas para Harvard:

  1. Não precisaria pagar o valor diretamente ao governo Trump, diferentemente do acordo fechado pela Universidade de Columbia
  2. Precisaria se comprometer formalmente a combater o antissemitismo em seu campus
  3. Tería o financiamento de pesquisa restaurado
  4. Não seria obrigada a nomear um monitor externo, condição que a universidade considerava uma violação à sua liberdade acadêmica

Em contrapartida, o governo Trump enterraria investigações conduzidas pelo Departamento de Justiça e pelo Departamento de Comércio contra Harvard, além de interromper esforços para impedir a matrícula de estudantes estrangeiros na instituição.

Implicações políticas e acadêmicas do conflito

Este impasse entre a Casa Branca e uma das universidades mais emblemáticas do mundo expõe um choque profundo entre o poder executivo federal e a tradição de autonomia acadêmica que caracteriza o ensino superior americano. A disputa transcende a questão financeira imediata, tocando em debates fundamentais sobre:

  • Liberdade de expressão e pensamento nas instituições educacionais
  • O papel do governo na regulação do conteúdo acadêmico
  • Proteção de minorias religiosas em ambientes universitários
  • O uso de financiamento público como instrumento de pressão política

O desfecho desta batalha legal e política poderá estabelecer precedentes significativos para o relacionamento futuro entre o governo federal americano e suas instituições de ensino superior, com repercussões que podem se estender além das fronteiras dos Estados Unidos.