Em uma entrevista exclusiva publicada nesta terça-feira pelo renomado jornal The New York Post, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, respondeu de forma afirmativa ao ser questionado se o país passaria a controlar o território onde serão instaladas futuras bases militares norte-americanas na Groenlândia. Esta região é uma área autônoma que pertence ao Reino da Dinamarca, mas tem despertado grande interesse geopolítico recentemente.
Declarações contundentes e justificativas estratégicas
"Teremos tudo o que quisermos. Estamos mantendo conversas interessantes", afirmou Trump durante a entrevista, sem fornecer detalhes mais específicos sobre o pré-acordo que foi anunciado na quarta-feira. Este anúncio ocorreu após uma reunião entre o presidente norte-americano e o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, durante o prestigiado Fórum Econômico Mundial de Davos.
O presidente justificou o interesse dos Estados Unidos pela ilha do Ártico com argumentos sólidos de segurança nacional, citando supostas ameaças provenientes da Rússia e da China. A Groenlândia é conhecida por possuir grandes reservas de hidrocarbonetos e minerais, o que a torna uma região estrategicamente valiosa no cenário global.
Contexto histórico e atual das bases militares
Vale destacar que os Estados Unidos já mantêm uma base militar no norte da Groenlândia, com base em um amplo acordo de defesa que foi originalmente assinado em 1951 entre Copenhague e Washington. Este acordo passou por uma atualização significativa no ano de 2004, mas as novas declarações de Trump sugerem uma expansão ainda maior da presença militar norte-americana na região.
Atualmente, a presença militar dos EUA na Groenlândia foi drasticamente reduzida se comparada ao passado. Enquanto em 1945 existiam 17 bases ativas, hoje resta apenas uma base principal, que conta com aproximadamente 150 militares e mais de 300 funcionários, muitos dos quais são cidadãos dinamarqueses ou groenlandeses.
Recuo de ameaças e estrutura para um futuro acordo
Na quarta-feira, em um movimento diplomático, Trump recuou publicamente da ameaça de anexar a Groenlândia pela força. Ele também desistiu de aumentar tarifas alfandegárias sobre alguns países europeus que se opuseram à proposta inicial de aquisição do território dinamarquês. Este recuo foi visto como uma tentativa de suavizar as tensões internacionais.
Posteriormente, em uma entrevista concedida ao canal norte-americano Fox Business, Donald Trump foi ainda mais enfático. Ele afirmou que os Estados Unidos terão "todo o acesso militar" que desejarem ao território autônomo, que integra tanto a União Europeia (UE) quanto a OTAN.
"Podemos colocar o que precisarmos na Groenlândia porque queremos", declarou o presidente, acrescentando com convicção: "Essencialmente, é acesso total, não há prazo, não há limite de tempo." Trump também mencionou que existe uma "estrutura para um futuro acordo" sobre a Groenlândia, que foi discutida durante o encontro com Mark Rutte em Davos.
Detalhes do pré-acordo e comparações internacionais
Poucas informações concretas foram divulgadas sobre o pré-acordo discutido com Mark Rutte, mas fontes citadas nesta semana pelo jornal The New York Times oferecem algumas pistas. Essas fontes afirmam que o acordo deve ser semelhante ao status das bases militares britânicas em Chipre.
As bases britânicas em Chipre permaneceram sob soberania do Reino Unido desde a independência da ilha do Mediterrâneo, que ocorreu em 1960. Este modelo sugere que os Estados Unidos poderiam manter um controle significativo sobre as áreas onde suas bases estiverem localizadas, mesmo dentro de um território autônomo ou soberano de outro país.
As declarações de Trump e as negociações em curso destacam a importância crescente da Groenlândia no xadrez geopolítico global, especialmente em um contexto de competição entre grandes potências e preocupações com a segurança no Ártico.