Trump em Davos ataca Europa e insiste na compra da Groenlândia, gerando crise com aliados
Trump em Davos ataca Europa e renova pedido pela Groenlândia

Trump em Davos ataca Europa e renova pedido para comprar Groenlândia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursou no Fórum Econômico Mundial em Davos, onde lançou críticas contundentes à Europa e reafirmou seu interesse em adquirir a Groenlândia. Essa postura tem gerado uma crise crescente com partidos nacionalistas de direita europeus, que anteriormente celebravam sua volta à Casa Branca.

Rompimento com aliados europeus

Um ano após líderes de direita radical na Europa comemorarem a vitória eleitoral de Trump, muitos começaram a se distanciar do presidente americano. A operação militar ordenada por Trump contra a Venezuela em janeiro de 2025, que resultou na captura de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, marcou o início das tensões.

Marine Le Pen, líder do Reagrupamento Nacional na França, declarou em suas redes sociais: "Há mil razões para condenar o regime de Nicolás Maduro, mas a soberania estatal nunca é negociável". Posteriormente, as ameaças de Trump de impor tarifas a países europeus que se opusessem aos seus planos para a Groenlândia intensificaram o afastamento.

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Nigel Farage, parlamentar britânico e líder do Reform UK, afirmou: "Amigos podem discordar, mas ameaçar tarifas para se apropriar da Groenlândia é um ato hostil". As declarações de Trump que minimizaram a colaboração de aliados da Otan na guerra do Afeganistão foram a gota d'água para muitos políticos.

Críticas e divisões na direita europeia

Giorgia Meloni, primeira-ministra da Itália, que atuava como ponte entre Europa e EUA, advertiu: "A amizade exige respeito". Enquanto isso, partidos como o Alternativa para a Alemanha (AfD) acusaram Trump de interferir em outros países, refletindo uma divisão no chamado movimento Mega (Make Europe Great Again).

Especialistas apontam que o apoio a Trump tornou-se uma desvantagem eleitoral em países como Canadá, onde o primeiro-ministro Mark Carney venceu as eleições de 2025 ao se opor firmemente à agenda trumpista. Alberto Alemanno, professor de direito europeu, destacou que os esforços de Trump para enfraquecer aliados revitalizaram politicamente esses países.

Impacto nas relações transatlânticas

Pesquisas de opinião mostram uma deterioração na percepção pública dos EUA na Europa. Na Alemanha, apenas 12% apoiam as ações americanas na Venezuela e na Groenlândia, enquanto no Reino Unido, 35% consideram os EUA hostis. Isso tem levado líderes como Farage a admitir que as ameaças sobre a Groenlândia representam a maior ruptura nas relações desde a crise do canal de Suez em 1956.

Brandon Bohrn, da Fundação Bertelsmann, avalia que o governo Trump errou em seus cálculos sobre a Groenlândia, e que a utilidade de Trump para populistas europeus termina onde começam as linhas vermelhas de seus eleitores. Apesar disso, alguns líderes como Viktor Orbán (Hungria) e partidos como o Vox (Espanha) mantêm silêncio, expondo divisões internas.

Consequências e perspectivas futuras

As ações de Trump têm unido aliados europeus tradicionalmente alvos de críticas, como França e Alemanha, que buscam maior independência estratégica. Alemanno observa uma aproximação inesperada entre a União Europeia e o Reino Unido pós-Brexit, com o primeiro-ministro Keir Starmer se posicionando ao lado da Europa.

Especialistas acreditam que o afastamento entre Trump e a direita europeia é mais tático do que estrutural, mas muito dependerá dos próximos passos dos EUA em relação à Groenlândia. Daniel Hegedüs, cientista político, alerta que se Trump continuar ameaçando a soberania europeia, isso certamente dividirá ainda mais a direita radical do continente.

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