Ambições de Trump sobre Groenlândia geram críticas de aliados europeus e ameaçam aliança militar
As recentes ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de tomar o controle da Groenlândia, não apenas chocaram líderes europeus em geral, mas também surpreenderam e irritaram fortes aliados do mandatário norte-americano dentro do continente. Ao longo da semana, figuras proeminentes da extrema direita europeia se uniram aos governantes de seus países – muitos deles rivais políticos – para condenar veementemente as investidas de Trump, que são vistas como uma postura intervencionista sem precedentes.
Reação unânime e preocupação com soberania
Políticos até então alinhados com Trump identificaram na ofensiva do republicano uma atitude que ameaça diretamente os interesses nacionais da Europa e fere a ideologia nacionalista, uma das marcas fundamentais da ultradireita no continente. Essa reação em massa destaca a gravidade da situação e os riscos potenciais para a principal aliança militar do Ocidente, a Otan.
Críticas de líderes europeus da extrema direita
Alice Weidel, Alemanha: A co-líder da AfD, sigla da extrema direita alemã, acusou Trump de violar uma promessa de campanha e um dos princípios básicos da direita liberal europeia, que é a não-interferência em assuntos de outros países. Ele violou uma promessa eleitoral fundamental, ou seja, a de não interferir em outros países, e precisa explicar isso aos seus próprios eleitores, afirmou Weidel. Tino Chrupalla, outro co-líder do partido, também condenou o que chamou de táticas de Velho Oeste e de política imperial.
Giorgia Meloni, Itália: Recentemente elogiada por Trump, a primeira-ministra Giorgia Meloni classificou como erro as tarifas que o presidente dos EUA ameaçou impor aos europeus. Meloni também alertou seu aliado norte-americano sobre os riscos de sua postura para a Otan. A previsão de um aumento de tarifas contra os países que escolheram contribuir para a segurança da Groenlândia é um erro, e eu não concordo com isso, declarou.
Jordan Bardella, França: O líder do Reunião Nacional e herdeiro político de Marine Le Pen pediu que a Europa reagisse e não fosse submissa aos Estados Unidos. Em discurso no Parlamento francês, Bardella afirmou: Quando um presidente dos EUA ameaça um território europeu usando pressão comercial, isso não é diálogo — é coerção. E nossa credibilidade está em jogo. A escolha é simples: submissão ou soberania. Em entrevista, ele se disse inquieto com as ameaças de Donald Trump à soberania dos Estados europeus.
Nigel Farage, Reino Unido: Considerado o pai do Brexit e aliado antigo de Trump, o britânico Nigel Farage também criticou as tarifas ameaçadas. Atual deputado, ele disse que ameaçar os aliados mais próximos não é o caminho certo e acrescentou que bons amigos também entram em desacordo. No Fórum Econômico Mundial, em Davos, Farage destacou que a postura de Trump não estava de acordo com sua crença na autodeterminação nacional, um princípio fundamental para os que lutam contra os globalistas.
Partido Popular da Dinamarca: O partido, que já se declarou alinhado aos valores do MAGA, afirmou que a postura de Trump vai contra o princípio da soberania nacional. O líder da sigla, Morten Messerschmidt, escreveu: Me retratar como alguém que serve a uma causa que não seja a Dinamarca, e que simpatizaria com ameaças ao nosso reino, é prejudicial.
Implicações para a aliança militar ocidental
Essas críticas convergentes de aliados europeus, especialmente da extrema direita que tradicionalmente simpatiza com Trump, indicam um rompimento significativo e colocam em risco a coesão da principal aliança militar do Ocidente. A reação mostra que, mesmo entre os mais próximos, há limites claros para intervenções que ameacem a soberania nacional e os interesses estratégicos da Europa.