Trump e governador de Minnesota dialogam após mortes pelo ICE: 'Sintonia' em meio a tensões
Trump e governador de Minnesota dialogam após mortes pelo ICE

Trump e governador de Minnesota dialogam após mortes pelo ICE: 'Sintonia' em meio a tensões

O governador de Minnesota, Tim Walz, afirmou ter mantido uma conversa produtiva com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta segunda-feira, 26 de janeiro de 2026. O telefonema ocorre em um contexto de protestos barulhentos no estado contra a atuação do Serviço de Imigração e Alfândega, conhecido pela sigla ICE. O diálogo entre as autoridades se dá dias após a morte do enfermeiro americano Alex Pretti, de 37 anos, baleado por um agente do ICE em Minneapolis, e no início do mês, o óbito da poetisa americana Renee Nicole Good, também de 37 anos, em uma blitz na cidade.

Reivindicações do governador e resposta de Trump

Tim Walz, um democrata que foi vice na campanha de Kamala Harris à Presidência, apelou por investigações imparciais sobre os tiroteios em Minneapolis envolvendo agentes federais. Ele salientou a necessidade de reduzir o número de agentes federais em Minnesota, onde atualmente estão presentes 3.000 agentes de imigração e da Patrulha da Fronteira. Em paralelo, o Pentágono ordenou que 1.500 soldados da ativa no Alasca se preparem para ser despachados para o estado, agravando as tensões, conforme informou a agência de notícias Reuters.

Segundo o governador, Trump concordou em conversar com seu Departamento de Segurança Interna para garantir que a polícia estadual participe das investigações. O republicano também aceitou analisar a possibilidade de reduzir o número de agentes federais em Minnesota e trabalhar de forma mais coordenada com o estado na aplicação das leis de imigração relativas a criminosos violentos. Walz destacou ainda que o Departamento de Correções de Minnesota coopera com o ICE, afirmando: Não há um único caso documentado de o departamento ter libertado alguém da prisão estadual sem se oferecer para garantir uma transferência de custódia tranquila.

Posicionamento de Trump nas redes sociais

Na Truth Social, sua rede social, Donald Trump informou que Walz telefonou com o pedido de colaboração em relação a Minnesota. Ele descreveu a ligação como muito proveitosa e afirmou que os dois estão em sintonia. Trump acrescentou: Tivemos um sucesso tremendo em Washington, D.C., Memphis, Tennessee, Nova Orleans, Louisiana, e praticamente em todos os outros lugares onde atuamos e, mesmo em Minnesota, a criminalidade diminuiu bastante, mas tanto o governador Walz quanto eu queremos melhorar ainda mais a situação!

Detalhes sobre as mortes de Alex Pretti e Renee Good

O enfermeiro americano Alex Pretti, de 37 anos, foi morto no sábado, 24 de janeiro, na zona sul de Minneapolis. Ele aparece nas imagens segurando apenas um celular, tinha porte legal de arma e estava com uma arma no coldre em sua calça. Testemunhas indicam que Pretti não se movimentou para sacar a arma em momento nenhum. Um agente tirou a pistola de Pretti, que estava imobilizado, enquanto outro atirou dez vezes à queima-roupa contra ele.

Já a poetisa americana Renee Nicole Good, também de 37 anos, foi morta após ser baleada na cabeça por um agente de imigração durante uma blitz em Minneapolis. Ela dirigia por um bairro residencial ao sul do centro da cidade, a apenas 1,6 km de onde George Floyd foi assassinado pelo policial Derek Chauvin em maio de 2020. No vídeo, é possível ver que ela acelera quando agentes, de maneira agressiva, se aproximam do seu carro. Em seguida, um deles saca uma arma e dispara através da janela, que estava abaixada, na direção do rosto da mulher.

Versões controversas do governo Trump

Em ambos os casos, o governo Trump culpabilizou as vítimas. O Departamento de Segurança Interna alegou que Good tentou atropelá-los e os atingiu com seu veículo, em um ato de terrorismo doméstico, o que teria levado o agente a agir em legítima defesa. Quanto a Pretti, a versão oficial afirma que ele teria colocado os agentes em risco e praticado terrorismo doméstico. Essas narrativas são contestadas por testemunhas, pelas famílias das vítimas e por milhares de moradores de Minnesota, que exigem transparência e justiça.