O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez declarações contundentes sobre a situação na Venezuela na noite deste domingo (04). Ele afirmou que o governo norte-americano está no comando do país sul-americano, que classificou como "um país morto" no momento atual.
Declarações polêmicas e ameaça de intervenção
Questionado por jornalistas sobre quem estaria no comando da Venezuela, Trump inicialmente disse que daria uma resposta "muito controversa". Em seguida, foi direto: "Significa que nós estamos no comando. Nós estamos no comando". O republicano não descartou a possibilidade de uma intervenção militar na Colômbia, país governado por Gustavo Petro. Ao ser perguntado sobre operações militares no território colombiano, respondeu de forma lacônica: "Parece bom para mim".
Trump também abordou a necessidade de reconstruir a Venezuela, vinculando esse esforço ao setor petrolífero. "Precisamos reerguê-la, e isso exigirá grandes investimentos das companhias petrolíferas para que a infraestrutura esteja pronta para funcionar", explicou o mandatário.
Mudança de poder e reconhecimento internacional
A fala de Trump ocorre em um contexto de mudança no comando venezuelano. No sábado (03), a Suprema Corte da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assumisse como presidente interina. O tribunal ainda deve decidir a estrutura legal de poder no país.
Após a determinação judicial, as Forças Armadas venezuelanas, através do ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, reconheceram Delcy como presidente. O governo brasileiro também se posicionou. Maria Laura da Rocha, que estava interinamente à frente do Itamaraty no sábado, declarou: "Na ausência do atual presidente, Maduro, é a vice. Ela está como presidente interina".
Trump minimizou as críticas feitas por Delcy Rodríguez às ações dos EUA. Sobre as falas da vice-presidente, agora interina, ele disse aos repórteres: "Vocês ouvem uma pessoa diferente da que eu ouço".
Operação militar, prisão e baixas
As declarações do presidente norte-americano seguem uma operação militar de grande escala realizada nas primeiras horas de sábado. Explosões e sobrevoo de aviões foram registrados na capital Caracas e em outros três estados venezuelanos. Jornalistas na capital relataram fortes bombardeios.
Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram detidos em "questão de segundos", sem tempo para reagir, conforme descrito por Trump. O presidente dos EUA afirmou à Fox News que acompanhou a operação de sua mansão em Mar-a-Lago, na Flórida, e comparou o evento a assistir a um programa de televisão.
Segundo Trump, Maduro tentou, sem sucesso, "chegar a um lugar seguro". "Ele chegou à porta, mas não conseguiu fechá-la", detalhou. Pouco antes de falar com a imprensa, Trump publicou uma foto que supostamente mostra Maduro após a prisão. Na imagem, o ex-presidente venezuelano aparece de óculos e abafadores de ruído, segurando uma garrafa, dentro do navio norte-americano USS Iwo Jima.
A operação teve um custo humano significativo. De acordo com informações repassadas ao The New York Times por um alto funcionário venezuelano anônimo, o ataque deixou ao menos 80 mortos. A fonte alertou que o número de vítimas ainda pode aumentar.
A prisão de Cilia Flores, esposa de Maduro, também chama a atenção. Nascida em 1956, a advogada é uma das figuras mais influentes do chavismo. Ela começou seu relacionamento com Maduro nos anos 1990, quando integrou a equipe jurídica de Hugo Chávez.