Trump impõe prazo ao Irã para acordo nuclear e Teerã responde com ameaças de guerra
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (30) que o Irã deseja chegar a um acordo e que ele mesmo estabeleceu um prazo para que Teerã apresente sua resposta definitiva. Em declarações feitas a jornalistas na Casa Branca, Trump evitou detalhar seus planos militares, mas deixou claro que conta com uma frota poderosa na região.
"Posso dizer isto: eles querem chegar a um acordo. Eu fixei um prazo, mas apenas eles sabem com certeza qual", declarou o mandatário americano, reforçando a pressão sobre o governo iraniano.
Irã se diz aberto ao diálogo, mas promete revidar em caso de ataque
Do lado iraniano, o presidente Masoud Pezeshkian adotou um tom mais conciliador, afirmando que "o Irã acolhe o diálogo e não busca a guerra". No entanto, ele deixou claro que, se o país for atacado, a resposta será imediata e decisiva.
O chanceler Abbas Araqchi, em viagem à Turquia, complementou que Teerã está preparada para negociações com os Estados Unidos sobre o acordo nuclear, desde que sejam "justas e equitativas". Ele destacou que o Irã não abrirá mão de manter e expandir suas capacidades de defesa, diretamente ligadas ao polêmico programa nuclear.
Capacidades nucleares e ameaças mútuas
Washington acusa o Irã de desenvolver uma arma nuclear, enquanto o governo teocrático garante que a tecnologia tem fins pacíficos. O país não permite inspeções da agência da ONU responsável pelo tema, aumentando as suspeitas internacionais.
Um alto funcionário iraniano, Ali Shamkhani, conselheiro sênior do líder supremo Ali Khamenei, já havia alertado que qualquer ataque dos EUA será considerado o início de uma guerra. "Um ataque limitado é uma ilusão. Qualquer ação militar dos EUA será considerada o início de uma guerra", afirmou.
Postagens nas redes sociais e lembranças de operações passadas
Em uma rede social, Trump relembrou a "Operação Martelo da Meia-Noite", realizada em junho do ano passado em parceria com Israel, que resultou no bombardeio de três instalações nucleares iranianas. O presidente americano advertiu que um novo ataque seria "muito pior" e que o "tempo está se esgotando" para um acordo.
Além disso, Trump mencionou os protestos no Irã, que segundo ativistas já causaram mais de 6 mil mortes devido à repressão governamental. Reportagens indicam que o presidente americano considera uma ampla gama de opções militares, incluindo bombardeios e operações especiais encobertas em território iraniano.
Tensões com a União Europeia e exercícios militares
As relações do Irã com a União Europeia também se deterioraram após o bloco incluir a Guarda Revolucionária iraniana em sua lista de organizações terroristas. Em resposta, um alto funcionário de segurança iraniano, Ali Larijani, afirmou que o país planeja designar as Forças Armadas dos países da UE como "terroristas".
Em meio a esse cenário de tensão, a Guarda Revolucionária anunciou que realizará exercícios com munição real no Estreito de Ormuz, rota crucial para a exportação de petróleo e ponto estratégico para os maiores produtores do Golfo.
O impasse entre Estados Unidos e Irã continua, com ambos os lados demonstrando disposição para o diálogo, mas preparados para o conflito caso as negociações não avancem dentro dos prazos estabelecidos.