Trump ataca aliados da Otan por não apoiarem segurança no Estreito de Ormuz
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou como "um erro muito estúpido" a recusa de vários países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte em ajudar a garantir a segurança do Estreito de Ormuz. A declaração foi feita nesta terça-feira, 17 de março de 2026, durante entrevista a repórteres no Salão Oval da Casa Branca, manifestando a insatisfação de Washington com a postura da aliança militar em meio ao conflito com o Irã.
Pressão americana e resistência europeia
Trump havia concedido uma entrevista ao jornal britânico Financial Times no domingo, 15 de março, alertando que a Otan enfrentaria um "futuro muito ruim" caso não ajudasse Washington a desobstruir o canal, responsável por aproximadamente 25% do escoamento mundial de petróleo. "É apropriado que as pessoas beneficiadas pelo Estreito ajudem a garantir que nada de ruim aconteça por lá", afirmou o mandatário.
Porém, a pressão da Casa Branca não foi suficiente para mobilizar seus aliados. Na segunda-feira, 16 de março, Alemanha, Itália e Grécia afirmaram que não participarão de operações militares na região. Posição semelhante tomou a França, cujo presidente Emmanuel Macron declarou que 'nunca participaria de operações para libertar o estreito' no contexto atual.
Reação exaltada nas redes sociais
Como resposta, Trump fez uma publicação exaltada em sua rede Truth Social nesta terça-feira, afirmando que o posicionamento dos estados-membros da organização não causou surpresa. "Não me surpreende a ação deles, porque sempre considerei a Otan, onde gastamos centenas de bilhões de dólares, como uma via de mão única: nós os protegemos, mas eles não farão nada por nós, especialmente em tempos de necessidade", disparou o republicano.
O presidente americano completou com letras maiúsculas: "Felizmente, dizimamos as Forças Armadas do Irã, e por termos tido tanto sucesso militar, não precisamos ou desejamos a assistência dos países da Otan — NUNCA PRECISAMOS".
Contexto do bloqueio e impacto global
Rota fundamental para o comércio global de petróleo, o Estreito de Ormuz foi parcialmente bloqueado pelo Irã como retaliação ao ataque conjunto promovido por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro. Com a medida, que aumenta o preço dos combustíveis em todo mundo, Teerã visa forçar a comunidade internacional a exigir o fim dos ataques da coalizão em troca da reabertura do canal.
O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, responsabilizou a ofensiva de Washington-Tel Aviv pelo cenário atual, afirmando: "O Estreito de Ormuz não pode voltar a ser o mesmo de antes e retornar às suas condições anteriores, já que não há segurança alguma".
Aproximadamente 14 milhões de barris passam através da rota localizada no Golfo Pérsico diariamente, e o congestionamento provoca incertezas no valor médio da commodity. O barril Brent, referência internacional do preço do petróleo, chegou a ser negociado acima de US$ 100 devido à obstrução, definida pela Agência Internacional de Energia como a maior interrupção na oferta da história do mercado global.
