O governo dos Estados Unidos confirmou nesta quarta-feira (7) que o presidente Donald Trump está analisando a possibilidade de comprar a Groenlândia, um território autônomo pertencente à Dinamarca. A informação foi divulgada pela secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, que também não descartou o uso de ação militar, embora tenha afirmado que a diplomacia é a primeira opção.
Interesse estratégico no Ártico
De acordo com Leavitt, a aquisição da Groenlândia é vista como uma questão de segurança nacional para os Estados Unidos. A motivação central seria conter a influência e a agressão percebida da Rússia e da China na região do Ártico, uma área de crescente importância geopolítica e econômica devido às rotas marítimas e recursos naturais.
"Isso é algo que está sendo ativamente discutido pelo presidente e sua equipe de segurança nacional", declarou a porta-voz. "Sua equipe está atualmente conversando sobre como seria uma potencial compra. Ele vê isso como sendo do melhor interesse dos EUA para deter a agressão russa e chinesa na região do Ártico".
Todas as opções estão na mesa, inclusive militares
Quando questionada sobre a possibilidade de uma ação militar contra um membro da Otan, a aliança militar ocidental da qual a Dinamarca faz parte, Leavitt foi enfática: "todas as opções estão sempre na mesa para o presidente Trump". No entanto, ela rapidamente acrescentou que a preferência do mandatário é pelo caminho diplomático. "Mas eu apenas direi que a primeira opção do presidente, sempre, tem sido a diplomacia", completou.
Em paralelo, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, anunciou que planeja se reunir com representantes da Dinamarca na próxima semana. Em declarações à imprensa, Rubio justificou a postura do governo ao afirmar que qualquer presidente mantém a opção de abordar ameaças à segurança nacional por meios militares, mas destacou o trabalho diplomático.
"Se o presidente identifica uma ameaça à segurança nacional dos EUA, todo presidente mantém a opção de abordá-la por meios militares. Como diplomata, que é o que sou agora, e no que trabalhamos, sempre preferimos resolver de maneiras diferentes", disse Rubio, citando como exemplo as abordagens utilizadas no caso da Venezuela.
Contexto e investimento chinês
A movimentação dos Estados Unidos ocorre em um momento de intensa competição global por influência e tecnologia. No mesmo dia, a cidade de Xangai, na China, anunciou um investimento de US$ 10 bilhões para impulsionar setores considerados estratégicos pelo governo chinês.
Os recursos serão concentrados em áreas de alta prioridade, como:
- Semicondutores
- Inteligência artificial
- Biofarmacêutica
- Veículos inteligentes
- Aviação
Este anúncio reforça o cenário de rivalidade tecnológica e geopolítica entre as grandes potências, contexto no qual a disputa por influência no Ártico, onde a Groenlândia está localizada, ganha contornos ainda mais significativos.
A situação coloca a Dinamarca, um aliado histórico dos EUA dentro da Otan, em uma posição delicada, tendo que equilibrar a defesa de sua soberania sobre o território groenlandês com a manutenção da aliança transatlântica. As discussões devem se intensificar nas próximas semanas, especialmente com a agenda de reuniões marcada pelo secretário Rubio.