Governo Trump autoriza entrada forçada em casas de imigrantes sem mandado judicial
Trump autoriza entrada forçada em casas de imigrantes sem mandado

Governo Trump autoriza entrada forçada em casas de imigrantes sem mandado judicial

Em uma medida que representa uma escalada sem precedentes na política de imigração dos Estados Unidos, o governo do presidente Donald Trump passou a orientar agentes federais a entrarem sem mandado judicial em residências de imigrantes para realizar prisões. A revelação foi feita pela agência de notícias Associated Press, que teve acesso a um memorando interno confidencial.

Memorando autoriza uso de força e ignora proteções constitucionais

O documento, compartilhado apenas com alguns funcionários do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), autoriza explicitamente os agentes a usarem força para entrar em uma residência caso um imigrante tenha uma ordem final de deportação. A base legal para essa ação seria um mandado administrativo assinado pela própria agência, conhecido como I-205, dispensando completamente a aprovação prévia de um juiz independente.

Especialistas em direitos constitucionais e defensores públicos alertam que essa diretriz colide frontalmente com as proteções da 4ª Emenda da Constituição dos EUA, que protege explicitamente a casa das pessoas como um espaço seguro contra buscas e apreensões arbitrárias por parte do governo. A medida também desmonta anos de políticas públicas que buscavam estabelecer protocolos mais direcionados e menos invasivos para as comunidades imigrantes.

Protocolo de ação e limitações horárias

De acordo com o texto do memorando, os agentes do ICE devem seguir um procedimento específico durante as abordagens:

  • Bater à porta e se identificar claramente, informando o motivo da presença no local.
  • Oferecer uma “oportunidade razoável de agir legalmente” aos ocupantes da residência.
  • Usar força apenas se a abordagem inicial não for bem-sucedida, limitando-se à quantidade necessária e razoável para efetuar a entrada.

O documento ainda estabelece uma restrição horária para as ações, permitindo entradas apenas entre 6h e 22h. No entanto, essa limitação não atenua a preocupação central de especialistas, que veem a autorização para entrada forçada sem mandado judicial como uma violação grave de garantias fundamentais.

Contexto de tensão e operação polêmica em Minnesota

A mudança na política do ICE ocorre em um momento de drástica ampliação das prisões relacionadas à imigração em todo o território norte-americano, o que tem gerado uma escalada de tensões entre os agentes federais e a população. Um dos episódios mais recentes e controversos se deu durante uma operação em Minneapolis, no estado de Minnesota.

A operação resultou em:

  1. A morte de uma mulher durante os confrontos.
  2. Denúncias de que crianças estariam sendo usadas como “isca” para prender imigrantes.
  3. Confrontos diretos entre agentes do governo Trump e manifestantes que protestavam contra as ações do ICE.

Caso emblemático: criança de 5 anos detida em Minnesota

Um dos casos que mais chamou a atenção da opinião pública foi a detenção de Liam Conejo Ramos, um menino de apenas 5 anos, ocorrida na terça-feira, 20 de janeiro de 2026. De acordo com a superintendente do distrito escolar da cidade, Zena Stenvik, o garoto teria sido utilizado como isca para prender seu pai, Adrian Alexander Conejo Arias.

O episódio aconteceu quando ambos retornavam para casa, logo após Liam sair da pré-escola. Agentes do ICE os abordaram na porta da residência e os levaram para um centro de detenção no Texas. Testemunhas relataram que um adulto que conhecia o menino “implorou” para que a criança fosse deixada no local, mas os agentes prosseguiram com a detenção.

A imagem do pequeno Liam, vestindo um gorro azul infantil e uma mochila do Homem-Aranha enquanto era detido, viralizou rapidamente nas redes sociais e foi amplamente divulgada pela imprensa americana, gerando uma onda de indignação na região de Minneapolis. Em resposta, a porta-voz do Departamento de Segurança Interna, Tricia McLaughlin, emitiu um comunicado negando que o ICE tenha tido uma criança como alvo, afirmando que “o ICE não teve como alvo uma criança”.

Contradição com treinamento jurídico do ICE

Curiosamente, a nova ordem emitida pelo governo Trump contradiz diretamente o treinamento jurídico que o próprio ICE fornece a seus agentes. Durante anos, a agência orientou seus funcionários que a entrada em casas sem um mandado judicial era inconstitucional, reforçando a necessidade de respeitar as salvaguardas da 4ª Emenda.

Agora, com o memorando interno, essa premissa é completamente invertida, permitindo que agentes federais ajam com base em documentos administrativos internos, sem qualquer supervisão judicial independente. Essa mudança radical no protocolo operacional do ICE levanta sérias questões sobre o futuro das proteções constitucionais no contexto da política de imigração norte-americana, especialmente em um cenário de crescentes tensões e confrontos.