Trump ataca Fed e gera incerteza global: custo de reforma de US$ 3,1 bi vira pretexto
Trump ataca Fed e gera incerteza na economia global

Uma nova investida do presidente americano, Donald Trump, contra o banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed), está criando turbulência nos mercados e ameaçando uma transição crucial para a maior economia do mundo. O alvo é Jerome Powell, presidente do Fed, e o pretexto inicial é o estouro no orçamento da reforma da sede da instituição, agora projetado em US$ 3,1 bilhões.

Vingança Política ou Preocupação Orçamentária?

Analistas observam, porém, que o ataque carrega um forte tom de vingança pessoal. Trump se considera traído por Powell devido à postura do banco central sobre as taxas de juros, que o presidente gostaria que fossem mais baixas para estimular a economia. Em meio às críticas aos custos, Trump chegou a classificar Powell como "incompetente ou desonesto", acirrando os ânimos.

A situação ganhou contornos formais com uma investigação federal sobre o sobrecusto, movida pela procuradoria de Washington. Jeanine Pirro, apresentadora da Fox News nomeada para o cargo, afirmou que a ação foi necessária porque o Fed ignorou contatos prévios, negando que seja uma "ameaça". No entanto, a medida foi criticada até por aliados republicanos no Senado, que ameaçaram bloquear a futura nomeação do sucessor de Powell.

Transição Tumultuada e Nomeação Sob Pressão

O mandato de Jerome Powell à frente do Fed vai até maio, e a expectativa era de uma transição tranquila para preservar a estabilidade dos mercados. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, tido como uma força moderadora, tem agora a difícil missão de reconstruir as bases para essa passagem.

O nome mais cotado para assumir o comando do banco central é Kevin Hassett, economista e assessor de Trump. Sua possível indicação, porém, já gera desconfiança. Analistas do Deutsche Bank alertam que Hassett precisará demonstrar total independência para convencer o mercado de que não será um mero porta-voz dos desejos presidenciais por juros baixos, o que poderia minar o combate à inflação.

Economia Sólida, mas Cenário Global Aquece

Paradoxalmente, os fundamentos da economia americana são robustos. A inflação está em 2,6% e o crescimento do último trimestre foi de 4,3%. A missão do Fed, no entanto, é delicada: equilibrar o estímulo ao crescimento com o controle da inflação para preservar o valor da moeda.

A turbulência no Fed se soma a um cenário internacional já aquecido. As declarações de Trump sobre o Irã, incentivando protestos e prometendo "ajuda", elevam a tensão geopolítica e pressionam o preço do petróleo. A combinação de instabilidade na política monetária americana e conflitos externos promete dominar os debates do Fórum Econômico Mundial de Davos, que começa na próxima semana.

Em resumo, a ofensiva de Trump, movida por razões que misturam questões orçamentárias e ressentimentos pessoais, prejudica a previsibilidade que os mercados tanto precisam. O risco é que essa turbulência política, criada pelo próprio presidente, acabe sabotando o projeto de crescimento econômico que ele tanto defende, com reflexos diretos nas eleições legislativas de novembro.