EUA capturam Maduro na Venezuela em operação militar sem precedentes desde 1989
Trump anuncia captura de Maduro em ataque à Venezuela

Em uma ação militar de grande escala, os Estados Unidos capturaram o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, durante a madrugada deste sábado (3). O anúncio foi feito pelo próprio presidente norte-americano, Donald Trump, em sua rede social Truth Social, marcando a intervenção mais direta dos EUA na América Latina desde a invasão do Panamá, em 1989.

Operação Militar e Reações Imediatas

Helicópteros do exército norte-americano chegaram a Caracas para executar a missão, que resultou na retirada forçada do líder venezuelano do país. Trump declarou que a operação foi um "sucesso" e realizada "em conjunto com as autoridades dos EUA". Ele prometeu dar mais detalhes em uma coletiva de imprensa marcada para as 11h (horário local) em seu resort Mar-a-Lago, na Flórida.

O governo venezuelano, através do ministro da Defesa, Vladimir Padrino, respondeu rapidamente, afirmando que o país resistirá à presença de tropas estrangeiras. Padrino alegou que os ataques atingiram áreas civis e que o governo está compilando informações sobre vítimas, mas não forneceu números oficiais de mortos ou feridos.

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, divulgou um áudio pela televisão estatal exigindo "provas imediatas da vida" de Maduro e de sua esposa, já que o paradeiro do casal é desconhecido pelas autoridades venezuelanas.

Silêncio da Oposição e Condenação Internacional

A oposição venezuelana, liderada pela ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, Maria Corina Machado, emitiu um comunicado na rede X informando que não faria "comentários oficiais" sobre os eventos. Machado, que recentemente deixou a Venezuela secretamente, havia declarado em dezembro que o regime de Maduro estava em seus "últimos dias".

A comunidade internacional reagiu com preocupação. A Rússia condenou veementemente o que chamou de "ato de agressão armada" e pediu diálogo. A União Europeia, através de sua principal diplomata, Kaja Kallas, reiterou que Maduro "carece de legitimidade" e pediu moderação e respeito ao direito internacional.

Nações como Espanha e Itália também manifestaram preocupação, com a Espanha se oferecendo como mediadora para uma solução pacífica. A Alemanha ativou sua equipe de crise para acompanhar a situação. Cuba foi uma das vozes mais duras, acusando os EUA de "terrorismo de Estado" contra o povo venezuelano.

Contexto de Tensão e Acusações

A ação militar é o ápice de meses de tensão e acusações. Os EUA acusam Maduro de liderar um "estado narco" e de fraudar as eleições do ano passado, nas quais se reelegeu para um terceiro mandato. Maduro, por sua vez, sempre afirmou que o interesse de Washington é controlar as vastas reservas de petróleo da Venezuela, as maiores do mundo.

Nos últimos meses, os EUA realizaram um grande reforço militar na região do Caribe, incluindo um porta-aviões, e conduziram mais de duas dezenas de ataques a embarcações suspeitas de tráfico de drogas nas águas próximas à Venezuela.

Uma pesquisa da Reuters/Ipsos no início de dezembro já revelava uma divisão na opinião pública americana sobre a campanha militar. Cerca de 48% dos entrevistados se opunham a ataques sem autorização judicial, enquanto 34% os apoiavam. A divisão partidária era clara: 67% dos republicanos apoiavam as ações, contra 80% de oposição entre os democratas.

Incerteza e Próximos Passos

O senador republicano Mike Lee informou que o secretário de Estado, Marco Rubio, lhe disse que Maduro foi preso para ser julgado por acusações criminais nos Estados Unidos. Rubio não previu "nenhuma ação adicional na Venezuela agora que Maduro está sob custódia dos EUA".

Enquanto isso, a situação no país segue incerta. Fontes da indústria petrolífera informaram que a produção e refino da estatal PDVSA seguem normais, sem danos graves em suas instalações principais. No entanto, o porto de La Guaira, próximo a Caracas, teria sofrido danos severos.

A operação coloca um ponto final dramático no governo de Maduro, que assumiu o poder em 2013 após a morte de Hugo Chávez. Seu mandato foi marcado por uma crise econômica catastrófica, que levou à pobreza extrema mais da metade da população e provocou um êxodo de cerca de 7,7 milhões de venezuelanos.

O mundo agora aguarda os desdobramentos desta intervenção sem precedentes no século XXI e seu impacto na já frágil estabilidade geopolítica da região.