Trump analisa morte em abordagem do ICE, enquanto vídeos contradizem versão oficial
Trump analisa morte pelo ICE; vídeos contradizem versão

Trump comenta morte em operação do ICE e revisão do caso

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou no domingo (25) ao jornal americano The Wall Street Journal que o governo federal está analisando a abordagem realizada pelo ICE (Serviço de Imigração e Alfândegas americano), que resultou na morte de um homem em Minnesota durante o fim de semana. "Estamos analisando, estamos revisando tudo e chegaremos a uma conclusão", afirmou o republicano à publicação, evitando comentar se a conduta do agente envolvido foi apropriada.

"Não gosto de ataques a tiros. Não gosto mesmo", continuou Trump. "Mas também não gosto quando alguém vai a um protesto com uma arma potente, totalmente carregada e com dois carregadores cheios de balas. Isso também não pega bem." Suas palavras refletem a tensão crescente em torno das operações de imigração no país.

Detalhes do incidente e contradições na versão oficial

Alex Pretti, de 37 anos, foi morto a tiros durante uma abordagem de funcionários federais em uma operação anti-imigrantes. A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, alegou que o episódio começou depois que um homem "abordou agentes da Patrulha da Fronteira dos EUA com uma pistola semiautomática de 9 mm" e eles tentaram desarmá-lo.

No entanto, vídeos publicados nas redes sociais e verificados pelo The New York Times contradizem essa narrativa. As imagens mostram que Pretti estava segurando um celular antes de os agentes o derrubarem no chão e atirarem nele. A vítima possuía licença para portar arma, mas a arma foi descoberta apenas quando ele já estava no chão, sendo agredido. Segundo as filmagens, ele é baleado após ser desarmado.

Reação da família e contexto dos protestos

Os pais de Alex, Michael e Susan, emitiram um comunicado no fim de semana, expressando indignação. "As mentiras repugnantes contadas sobre nosso filho pelo governo são repreensíveis e nojentas", afirmaram. Eles destacaram que "o último pensamento e ato [de Alex] foi proteger uma mulher", referindo-se a uma pessoa que, momentos antes, havia sido empurrada pelos agentes de imigração.

Os pais detalharam: "Ele estava com o celular na mão direita e a mão esquerda, vazia, erguida acima da cabeça enquanto tentava proteger a mulher que o ICE acabara de derrubar, tudo isso enquanto era atingido por spray de pimenta." Este incidente ocorre em um contexto de protestos constantes no estado de Minnesota desde o início de janeiro, quando Renee Good, também de 37 anos, foi morta por um agente do ICE.

Ampliação das tensões e ameaças presidenciais

Em resposta às manifestações, Trump já ameaçou usar a Lei de Insurreição, um dispositivo legal obscuro com mais de 200 anos, para conter os protestos em Minneapolis. Criada em 1807, a legislação permite ao presidente empregar soldados das Forças Armadas em situações em que distúrbios civis ultrapassem a capacidade das autoridades locais de manter a ordem.

A legislação foi usada pela Casa Branca durante a Guerra Civil e, nos anos 1960, para impor o fim da segregação racial. A última aplicação ocorreu em 1992, durante os protestos antirracismo em Los Angeles. Essa possibilidade tem gerado preocupações sobre o aumento da militarização em cenários de conflito social.

Chamado de ex-presidentes e repercussão nacional

Enquanto isso, ex-presidentes como Bill Clinton e Barack Obama pediram uma reação do povo norte-americano contra as mortes violentas que vêm acontecendo pela polícia anti-imigração dos Estados Unidos (ICE). Eles incentivam que os cidadãos se manifestem pacificamente, destacando a importância da transparência e da justiça em casos como o de Alex Pretti.

O caso ilustra as complexidades e tensões envolvendo políticas de imigração, segurança pública e direitos civis nos Estados Unidos, com repercussões que podem influenciar debates políticos e sociais nos próximos meses.