Trump ameaça vinhos e champanhe franceses com tarifa de 200% após impasse com Macron
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, impor tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses. A medida é uma retaliação direta à decisão do presidente da França, Emmanuel Macron, de não participar do Conselho de Paz para Gaza, uma iniciativa americana que tem gerado preocupações sobre o enfraquecimento do papel das Nações Unidas.
Contexto da ameaça comercial
A ameaça ocorre após um porta-voz francês informar que Macron não aceitará o convite para compor o grupo, que inclui 49 países mais a União Europeia. Entre os convidados está o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que ainda avalia sua participação. Trump reagiu de forma contundente aos repórteres, afirmando: “Ele disse isso mesmo? Bem, ninguém o quer porque ele estará fora do cargo muito em breve. Vou impor uma tarifa de 200% sobre seus vinhos e champanhes, e ele vai aderir, mas não precisa.”
Atualmente, vinhos e bebidas alcoólicas exportados da União Europeia para os Estados Unidos já enfrentam uma tarifa de 15%, uma taxa que os franceses pressionam para reduzir a zero com base no acordo comercial EUA-UE, fechado em julho de 2025 na Escócia. Os EUA são o maior mercado para vinhos e destilados da França, com remessas que totalizaram 3,8 bilhões de euros (aproximadamente R$ 24 bilhões) em 2024.
Reação francesa e tensões diplomáticas
Na manhã de terça-feira, 20 de janeiro, a ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, classificou as ameaças de Trump como uma forma de “chantagem”. Em entrevista à emissora francesa TF1, ela acrescentou: “É chocante porque é brutal, é feito para forçar a conformidade.” A declaração reflete a crescente tensão entre os dois líderes, que já vinha se acumulando em outros fronts diplomáticos.
Além da questão das tarifas, Trump publicou na Truth Social, rede social da qual é proprietário, uma troca de mensagens com Macron. Nas conversas, o presidente francês concorda com Trump sobre a Síria e possíveis ações no Irã, mas contrapõe: “Eu não consigo entender o que você está fazendo na Groenlândia”, referindo-se às ameaças americanas de tomar a região autônoma administrada pela Dinamarca.
Groenlândia e reunião em Davos
Macron propôs uma reunião do G7 e sugeriu incluir representantes da Ucrânia, Dinamarca, Síria e Rússia nas margens do Fórum Econômico Mundial em Davos, que se estende até 23 de janeiro. Ele também convidou Trump para um jantar em Paris antes do retorno do líder americano aos EUA. A autenticidade das mensagens foi confirmada, aumentando a complexidade das relações bilaterais.
Trump concordou em participar de uma reunião com líderes europeus sobre a Groenlândia em Davos, mas adiantou que “não há como retroceder”. Ele ainda compartilhou na Truth Social uma imagem gerada por inteligência artificial, na qual aparece fincando uma bandeira dos EUA na Groenlândia ao lado do vice-presidente J.D. Vance e do secretário de Estado Marco Rubio. Desde seu primeiro mandato, Trump alega que a região é sensível para a segurança nacional dos Estados Unidos.
Impactos e perspectivas
Esta disputa comercial e diplomática ocorre em um momento delicado, com o Conselho de Paz para Gaza sendo visto por críticos como uma iniciativa que pode minar a autoridade das Nações Unidas. A inclusão de países como Rússia, sob críticas devido à guerra na Ucrânia, e a recusa de Macron destacam as divisões internacionais. Enquanto isso, a ameaça de tarifas de 200% sobre produtos franceses pode ter repercussões significativas no comércio bilateral, afetando um setor vital para a economia francesa.
O impasse entre Trump e Macron ilustra como questões geopolíticas, como o conflito em Gaza e a disputa pela Groenlândia, podem rapidamente escalar para tensões econômicas, com vinhos e champanhes se tornando símbolos de uma batalha mais ampla por influência e conformidade.