O governo da Colômbia anunciou o reforço da segurança na fronteira com a Venezuela, em meio a uma crescente tensão diplomática com os Estados Unidos. A medida ocorre após declarações do ex-presidente norte-americano, Donald Trump, que sugeriu a possibilidade de uma ação militar contra o país sul-americano.
Trump classifica Petro como "homem doente" e faz ameaça
No domingo, 4 de fevereiro, a bordo do Air Force One, Donald Trump fez críticas diretas ao presidente colombiano, Gustavo Petro. O republicano afirmou que a Colômbia é governada por "um homem doente" e acusou o líder de gostar de produzir e vender cocaína para os Estados Unidos. "Não vai continuar fazendo isso por muito tempo", completou Trump.
Questionado por jornalistas sobre a possibilidade de os EUA realizarem uma operação militar contra a Colômbia, a resposta de Trump foi breve e contundente: "Soa bem para mim". A declaração foi imediatamente interpretada como uma grave ameaça à soberania colombiana.
Resposta cautelosa de Petro aguarda "tradução" das palavras
Nesta segunda-feira, 5 de fevereiro, o presidente Gustavo Petro reagiu às falas de Trump através de suas redes sociais. Adotando um tom cauteloso, Petro afirmou que ainda analisaria o significado real das palavras do ex-presidente dos EUA antes de dar uma resposta oficial.
"Hoje verei se as palavras em inglês de Trump são traduzidas como diz a imprensa nacional. Portanto, responderei mais tarde, até saber o que realmente significa a ameaça ilegítima de Trump", escreveu o mandatário colombiano.
Em outra publicação, no entanto, Petro foi mais incisivo. Ele pediu a Trump que pare de caluniá-lo e deixou claro que não aceita ameaças. "Não é assim que se ameaça um presidente latino-americano que surgiu da luta armada e, depois, da luta pela paz do povo da Colômbia", declarou.
Contexto de sanções e crítica a Marco Rubio
O embate não é um episódio isolado. Em outubro de 2025, o governo Trump já havia aplicado sanções contra Gustavo Petro. A recente troca de farpas insere-se num contexto de relações já deterioradas.
Na mesma série de publicações, Petro também se dirigiu ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. O presidente colombiano rebateu sugestões de que não colabora com os EUA, apontando que Rubio defende uma cooperação direta entre Washington e o exército colombiano, ignorando a cadeia de comando constitucional.
Petro lembrou que, pela Constituição colombiana, ele é o comandante supremo das Forças Armadas e da Polícia Nacional. Além disso, citou ações concretas de seu governo no combate ao tráfico de drogas e à espionagem, defendendo sua trajetória e compromisso com a paz e a soberania do país.
Enquanto aguarda a "tradução" definitiva das intenções de Trump, a Colômbia move suas peças no tabuleiro geopolítico, começando pelo fortalecimento de sua presença na sensível fronteira com a Venezuela, em um claro sinal de preparação e alerta.