Tarifas de Trump impactam popularidade e economia dos EUA em ano eleitoral
Tarifas de Trump afetam popularidade e economia americana

Impacto das tarifas na popularidade de Trump preocupa republicanos

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou amplas tarifas impostas pelo governo forçou o presidente Donald Trump a buscar novas estratégias para manter uma das peças centrais de sua política econômica. No entanto, essa movimentação enfrenta forte rejeição da população, com dois terços dos americanos desaprovando a forma como o republicano está lidando com os impostos sobre produtos importados, conforme revela uma pesquisa recente da ABC News/Washington Post/Ipsos.

Cenário eleitoral desfavorável para o presidente

Em um momento crítico para sua presidência e para as eleições legislativas de 2026, Trump enfrenta um cenário de crescente desaprovação entre eleitores independentes, latinos e a população jovem — fatores que estão intrinsecamente ligados à controvérsia das tarifas. Apenas 32% dos americanos acreditam que o presidente tem as prioridades certas, segundo uma nova pesquisa da CNN/SSRS publicada na terça-feira, 24 de fevereiro.

A aprovação geral de Trump está em 36%, enquanto 61% dos entrevistados consideram que as políticas adotadas pelo governo estão levando o país na direção errada. Quando questionados sobre os temas de maior importância, os eleitores identificaram economia e custo de vida como suas principais preocupações, superando tópicos como imigração, saúde ou política externa.

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Economia como questão central para os eleitores

Pesquisas consecutivas demonstram que, para os eleitores americanos, a economia continua sendo a questão mais importante. A inflação geral caiu inesperadamente para 2,4% em janeiro em comparação com o mesmo período do ano passado, uma redução em relação à taxa anual anterior de 2,7%. No entanto, muitos criticam a falta de agilidade de Trump, que prometeu reduzir preços "no primeiro dia" de seu retorno à Casa Branca.

As sondagens indicam que um grande número de eleitores que apoiavam Trump agora o culpam pelo alto custo de vida. Suas tarifas, embora não tenham sido tão inflacionárias quanto muitos temiam inicialmente, são extremamente impopulares entre a população.

Consumidores americanos arcam com custos das tarifas

Um relatório alarmante do Federal Reserve de Nova York, divulgado em fevereiro, constatou que os consumidores americanos estão arcando, em sua grande maioria, com o ônus econômico representado pelos preços mais altos decorrentes da onda de tarifas imposta por Trump. De acordo com o estudo, aproximadamente 90% do custo adicional gerado pelas medidas acaba sendo pago internamente, contrariando o argumento do governo de que o peso recai principalmente sobre exportadores estrangeiros.

A análise considera o comportamento das tarifas ao longo do último ano, quando a alíquota média sobre produtos importados subiu de 2,6% para 13%. Em abril e maio, no auge da disputa comercial com a China, as taxas chegaram a 125% antes de serem reduzidas, ainda assim permanecendo em patamar elevado.

Transferência de custos para a economia doméstica

Com base em evidências do primeiro mandato de Trump, os economistas do Fed destacam que exportadores estrangeiros, em geral, não reduziram seus preços para compensar as novas cobranças. Na prática, isso significa que o encarecimento foi transferido para importadores americanos — e, em seguida, repassado ao restante da economia.

As conclusões dialogam com relatório recente do Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), que também aponta aumento direto dos preços de bens importados como consequência das tarifas. Segundo o órgão, parte do custo é absorvida temporariamente por empresas, via redução de margens de lucro, mas a maior parcela acaba chegando ao consumidor final, pressionando ainda mais o custo de vida nos Estados Unidos.

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