Rodrigo Bacellar é preso novamente pela PF por influência política no RJ
Rodrigo Bacellar preso novamente pela PF por influência no RJ

A Polícia Federal realizou uma nova prisão do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, nesta semana. A ação faz parte da Operação Unha e Carne, que investiga suspeitas de corrupção, loteamento político de órgãos estaduais e ligações entre agentes públicos. Segundo a PF, Bacellar teria acumulado influência política sobre decisões que seriam prerrogativas do governador do estado, incluindo a indicação de nomes para secretarias estratégicas do governo fluminense.

Influência sobre o Executivo

De acordo com a representação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), sob a gestão de Bacellar, a Alerj “potencializou sua influência” sobre áreas do Executivo estadual, interferindo diretamente em decisões consideradas centrais no governo do estado. A PF cita nominalmente áreas como as secretarias de Fazenda, Assistência Social, Educação, Polícia Militar e, em certa ocasião, Polícia Civil. Embora não detalhe quais secretários específicos foram indicados por Bacellar, a investigação sustenta que ele possuía capacidade de influência política sobre estruturas estratégicas do estado.

Parlamento como estrutura central de poder

No documento enviado ao STF, a PF afirma que a Assembleia Legislativa do Rio passou a exercer um papel político superior ao tradicional modelo presidencialista previsto na Constituição. “No Rio de Janeiro o parlamento é, de fato, a estrutura central do poder”, dizia um trecho do relatório. A representação aponta que, ao longo dos anos, tornou-se comum a influência de deputados estaduais sobre cargos da administração pública, incluindo comandos da Polícia Militar, delegacias, hospitais, escolas, órgãos regionais e fundações estaduais. Sob a gestão de Bacellar, esse modelo teria sido ampliado.

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Fragilidade política do governador Cláudio Castro

A investigação também relaciona o crescimento da influência de Rodrigo Bacellar ao cenário político do governador Cláudio Castro (PL). Segundo a PF, a fragilidade política do governador diante de sucessivos escândalos teria ampliado o espaço de atuação da Assembleia Legislativa. A representação afirma que “a possibilidade de prisão ou cassação sempre esteve no horizonte”. Os investigadores também apontam que a eleição unânime de Bacellar para a presidência da Alerj foi um indicativo do tamanho de sua influência política, consolidando uma estrutura de poder baseada em negociações políticas e controle regionalizado de órgãos estaduais.

Planilha de cargos e influência política

As conclusões da PF foram reforçadas após a apreensão de um computador na sala do então chefe de gabinete de Rodrigo Bacellar, Rui Carvalho Bulhões Júnior, durante a Operação Unha e Carne. A análise do material revelou uma planilha contendo nomes de deputados estaduais, órgãos públicos, estruturas controladas por parlamentares e pedidos por novos espaços no governo do estado. O documento mostrava o que cada deputado “tinha”, quais cargos ou órgãos controlava e quais novos espaços políticos pretendia obter. Entre os órgãos citados na planilha aparecem Detran, Faetec, Fundação Leão XIII, Ipem, Setrab, estruturas regionais da Saúde e postos avançados do governo estadual. Segundo a representação, a planilha ajuda a explicar a construção da base política de Bacellar dentro da Assembleia.

Ligação com Thiago Rangel

A planilha também passou a ser usada pela PF para aprofundar a investigação contra o deputado estadual Thiago Rangel (Avante), preso na mais recente fase da Operação Unha e Carne. Segundo a PF, Thiago aparecia no documento ligado ao controle político de cargos no Detran de Campos dos Goytacazes e no Instituto de Pesos e Medidas do Estado do Rio de Janeiro (Ipem). Os investigadores afirmam que a influência sobre o Ipem tinha relevância estratégica para o parlamentar, que é proprietário de postos de combustíveis investigados por suspeitas de fraude. A investigação identificou indícios de que a influência política em órgãos públicos estaduais era utilizada para beneficiar interesses privados do grupo investigado.

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