O cenário político brasileiro reagiu de forma imediata e diversa à eclosão do conflito bélico na Venezuela neste sábado, 3 de janeiro de 2026, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos. Entre os principais nomes da oposição ao governo Lula e pré-candidatos à sucessão presidencial, no entanto, um silêncio se destacou: o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Posicionamentos divergentes entre os presidenciáveis
Enquanto Tarcísio mantinha uma postura neutra e evitava comentários públicos, seus potenciais concorrentes nas eleições de 2026 foram rápidos em se manifestar nas redes sociais, com tomadas de posição que variaram entre o apoio explícito à intervenção americana e a defesa da soberania nacional.
O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), foi um dos mais entusiastas. Ele parabenizou diretamente o ex-presidente americano Donald Trump pela ação militar. "Quero parabenizar o presidente Trump pela brilhante decisão de libertar o povo da Venezuela", escreveu, classificando o regime anterior como uma "narcoditadura chavista" e celebrando a "liberdade" e a "democracia".
Na mesma linha de apoio à intervenção, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), definiu a data como histórica. "Que este 3 de janeiro entre para a história como o dia da libertação do povo venezuelano", afirmou, destacando os mais de 20 anos de opressão atribuídos ao chavismo.
Críticas ao regime, mas defesa da diplomacia
Um tom mais moderado e diplomático foi adotado pelo governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD). Embora tenha sido incisivo ao criticar o "regime ditatorial de Maduro", que segundo ele viola direitos humanos, Leite também condenou a violação da soberania venezuelana.
"A violência exercida por uma nação estrangeira contra outra soberana... é igualmente inaceitável", argumentou. O gaúcho defendeu que os princípios diplomáticos e o diálogo devem prevalecer para resolver conflitos, posicionando-se a favor da paz e da cooperação na América Latina, em contraste com intervenções armadas.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), focou suas declarações nas consequências econômicas do chavismo e nas expectativas para o futuro. Ele desejou que a queda de Maduro permita ao povo venezuelano "reencontrar paz, estabilidade e o caminho do desenvolvimento", citando o isolamento internacional e a destruição da economia do país como legados trágicos do regime autoritário.
O silêncio estratégico de Tarcísio
O contraste mais evidente, porém, ficou por conta da ausência de qualquer pronunciamento do governador paulista Tarcísio de Freitas. Ex-ministro do governo Bolsonaro e figura central nas especulações sobre 2026, sua demora para se posicionar sobre um evento internacional de tamanha magnitude chamou a atenção de analistas e da imprensa.
Enquanto seus colegas de oposição ocupavam o debate público com declarações fortes e polarizadas, Tarcísio optou por uma cautela incomum. Essa postura levanta questionamentos sobre uma possível estratégia eleitoral diferenciada, que busca evitar alinhamentos muito explícitos em um tema geopolítico sensível e divisivo.
O episódio deixa claro como a crise venezuelana já reverbera no tabuleiro político doméstico, servindo como um termômetro para as diferentes posturas e estratégias dos principais nomes da oposição na corrida que se desenha para as eleições presidenciais de 2026.