Presidente do St. Pauli defende boicote à Copa 2026 por ações de Trump
St. Pauli defende boicote à Copa 2026 por ações de Trump

Presidente do St. Pauli defende discussão sobre boicote à Copa do Mundo de 2026

Oke Göttlich, presidente do clube alemão St. Pauli e um dos dez vice-presidentes da Federação Alemã de Futebol (DFB), concedeu uma extensa entrevista ao jornal Hamburger Morgenpost neste sábado. Durante a conversa, ele afirmou que "chegou a hora" de considerar e debater seriamente um possível boicote à Copa do Mundo de 2026, que será sediada pelos Estados Unidos, Canadá e México.

Justificativas históricas e preocupações atuais

Göttlich baseou sua posição nas ações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, incluindo tentativas de anexar a Groenlândia, território dinamarquês e membro da OTAN, e ameaças de impor tarifas a oito países europeus que se opuseram à iniciativa. Ele comparou a situação atual com o boicote liderado pelos EUA aos Jogos Olímpicos de 1980, em resposta à invasão soviética do Afeganistão, que contou com o apoio de mais de 60 nações.

"Quais foram as justificativas para os boicotes aos Jogos Olímpicos de 1980? Do meu ponto de vista, a ameaça potencial é maior agora do que era naquela época. Precisamos ter essa discussão", declarou Göttlich, enfatizando a necessidade de reflexão sobre valores e limites na sociedade.

Críticas à apolitização e defesa de tabus

O dirigente expressou frustração com o que percebe como uma apolitização excessiva no futebol, contrastando com as críticas generalizadas ao Catar durante a Copa de 2022. "O Catar era político demais para todo mundo e, agora, somos completamente apolíticos? Isso realmente me incomoda muito, muito mesmo", questionou.

Ele prosseguiu defendendo a importância de estabelecer e manter tabus como parte essencial do posicionamento ético de organizações e sociedades. "Como organizações e sociedades, estamos nos esquecendo de como impor tabus e limites e de como defender valores. Os tabus são uma parte essencial do nosso posicionamento", acrescentou.

Questionamentos a líderes do futebol

Göttlich direcionou perguntas incisivas a figuras-chave do futebol mundial, incluindo Donald Trump, Bernd Neuendorf (presidente da DFB) e Gianni Infantino (presidente da FIFA). "Um tabu é quebrado quando alguém faz uma ameaça? Quando alguém ataca? Quando pessoas morrem? Eu gostaria de saber, da parte de Donald Trump, quando ele atingiu o seu limite — e também gostaria de saber isso de Bernd Neuendorf e Gianni Infantino", completou.

Ele reforçou que a vida de jogadores profissionais não deve ser valorizada acima das vidas de pessoas afetadas por políticas hostis, argumentando: "A vida de um jogador profissional não vale mais do que a vida de inúmeras pessoas de diferentes regiões que estão sendo, direta ou indiretamente, atacadas ou ameaçadas pelo país anfitrião da Copa do Mundo".

Contexto da Copa do Mundo de 2026

A Copa do Mundo de 2026 está programada para ocorrer entre 11 de junho e 19 de julho, marcando a primeira edição com 48 seleções, expandindo das tradicionais 32. A Alemanha está no Grupo E, ao lado de Equador, Curaçao e Costa do Marfim. Portugal, por sua vez, disputará o Grupo K, com Uzbequistão, Colômbia e o vencedor de um playoff entre República Democrática do Congo, Nova Caledônia e Jamaica.

O formato do torneio permitirá que avancem para a fase seguinte os dois primeiros colocados de cada grupo, além dos oito melhores terceiros, baseados na pontuação após três rodadas. Este cenário esportivo contrasta com as discussões políticas levantadas por Göttlich, destacando a interseção entre futebol e questões globais.