O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, fez uma declaração contundente sobre um cenário geopolítico hipotético que tem gerado discussões nos bastidores internacionais. Em entrevista publicada no domingo, 18 de fevereiro, pelo jornal La Vanguardia, o líder espanhol afirmou que uma eventual invasão dos Estados Unidos à Groenlândia teria consequências catastróficas para o Ocidente, beneficiando diretamente o presidente russo, Vladimir Putin.
Uma declaração impactante em meio à cúpula
A fala de Sánchez ocorreu em um contexto de alta tensão, enquanto ele chegava para participar da cúpula da Coligação dos Dispostos, realizada no icônico Palácio do Eliseu, em Paris. A reunião, que reúne aliados-chave, discute estratégias de segurança coletiva, mas a intervenção do premiê espanhol trouxe à tona um risco inesperado.
Segundo Sánchez, qualquer movimento militar norte-americano contra a vasta ilha ártica da Dinamarca não seria apenas um erro tático. Seria, em suas palavras, um presente estratégico para o Kremlin. "Se focarmos na Groenlândia, tenho de dizer que uma invasão dos EUA a esse território faria de Vladimir Putin o homem mais feliz do mundo", declarou o político ao periódico catalão.
O risco de legitimar a invasão russa
O raciocínio de Pedro Sánchez é baseado na coerência das normas internacionais. Ele argumenta que uma ação militar unilateral e agressiva por parte de uma potência da OTAN criaria um precedente perigoso. "Por quê? Porque legitimaria sua tentativa de invasão da Ucrânia", explicou o primeiro-ministro, referindo-se à ofensiva russa iniciada em fevereiro de 2022.
Para o chefe do governo espanhol, a aliança militar do Atlântico Norte (OTAN) se basearia em um duplo padrão insustentável. Como condenar a invasão russa se um de seus membros mais poderosos agisse de forma similar? A credibilidade da aliança, já posta à prova, desmoronaria.
Consequências para a OTAN e a ordem global
Sanchez foi ainda mais enfático ao descrever as possíveis repercussões. "Se os Estados Unidos recorressem à força, seria o toque de morte para a OTAN. Putin ficaria duplamente feliz", alertou. A declaração sublinha o temor de que uma ação dessas fragmentaria a unidade ocidental, que é justamente o maior obstáculo para os objetivos expansionistas de Moscou.
A Groenlândia, um território autônomo dinamarquês com imensa importância geopolítica e recursos naturais no Ártico, ocasionalmente surge no debate estratégico. A declaração de Sánchez, porém, a coloca no centro de uma discussão sobre os princípios que devem guiar a resposta ao conflito na Ucrânia e a defesa da ordem baseada em regras.
A entrevista, que ainda está sendo atualizada com mais detalhes, já ecoa como um sério aviso de um dos líderes europeus. A mensagem é clara: a vitória sobre a agressão russa depende não apenas do apoio à Ucrânia, mas também da preservação da integridade moral e legal do bloco ocidental. Qualquer deslize nesse sentido seria uma vitória estratégica para Vladimir Putin.