Sheinbaum confirma: EUA não invadirão México para combater narcotráfico
Sheinbaum nega invasão dos EUA ao México

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou publicamente que os Estados Unidos não realizarão uma invasão militar em território mexicano para combater o tráfico de drogas. A declaração surge como uma resposta direta às afirmações feitas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, que havia ameaçado publicamente com ataques terrestres contra cartéis no país vizinho.

Diálogo direto entre os líderes

Em uma publicação em rede social nesta segunda-feira, 12 de janeiro de 2026, Sheinbaum relatou que manteve um telefonema com Trump e classificou o contato como “uma boa conversa”. Segundo a líder mexicana, os dois discutiram uma série de temas cruciais para a relação bilateral.

“Incluindo segurança com respeito às nossas soberanias, a diminuição do tráfico de drogas, o comércio e investimentos”, listou Sheinbaum. Ela enfatizou que “a colaboração e a cooperação num contexto de respeito mútuo sempre produzem resultados”, sinalizando uma preferência pela via diplomática em detrimento de ações unilaterais.

Contexto das ameaças de Trump

As declarações tranquilizadoras da presidente mexicana contrastam com o tom adotado por Donald Trump nos dias anteriores. O mandatário norte-americano havia dito publicamente que os EUA fariam ataques por terra contra os cartéis mexicanos, chegando a lamentar o que chamou de situação triste observada no país vizinho.

Esta não é a primeira vez que Trump adota uma postura ameaçadora contra nações latino-americanas. Recentemente, após ordenar a invasão da Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro, o líder dos EUA voltou sua atenção para outras nações da região.

Cuba também na mira

No domingo, 11 de janeiro, Trump usou sua rede social para comentar sobre Cuba. Ele afirmou que a ilha “não tem mais o petróleo e nem o dinheiro vindos da Venezuela” e aconselhou que seria melhor para os cubanos “fazer um acordo [com os EUA] antes que seja tarde”.

A reação do governo cubano foi imediata e firme. O presidente Miguel Diaz-Canel respondeu afirmando que “Cuba é uma nação livre, independente e soberana”. Em uma mensagem clara de resistência, ele completou: “Ninguém nos dirá o que fazer”.

O papel ampliado do ICE

O cenário de tensão e ameaças coincide com a reafirmação de políticas de imigração agressivas por parte da administração Trump. Desde seu retorno à Casa Branca em janeiro de 2025, o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) ganhou novos poderes e protagonismo.

Durante a campanha eleitoral, Trump deixou claro que combater a imigração seria uma de suas prioridades máximas. O ICE, portanto, tornou-se um instrumento central na aplicação desta agenda, aumentando as apreensões e deportações, um fato que gera preocupação constante em países latino-americanos, incluindo o México.

O episódio do telefonema entre Sheinbaum e Trump revela um delicado equilíbrio. Enquanto a presidente mexicana busca acalmar os ânimos e reafirmar a soberania nacional através do diálogo, a retórica intervencionista de Washington mantém a região em estado de alerta. A insistência no respeito mútuo e na cooperação, defendida por Sheinbaum, parece ser o contraponto escolhido pelo México para navegar em um momento de grande incerteza e pressão geopolítica.