Sanae Takaichi: A primeira-ministra japonesa com 80% de aprovação e a eleição antecipada
No cenário político global, uma figura se destaca com índices de popularidade impressionantes: a primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi. Com apenas três meses à frente do governo, ela registra até 80% de aprovação, posicionando-a como a líder mais bem avaliada do mundo democrático, superando até mesmo a mexicana Claudia Sheinbaum. No entanto, essa popularidade não a isenta de desafios monumentais, que incluem uma economia estagnada, a sombra avassaladora da China e o encolhimento populacional do país.
Uma jogada estratégica no tabuleiro político
Em um movimento considerado um risco calculado, Sanae Takaichi convocou eleições antecipadas para o próximo dia 8 de fevereiro, buscando consolidar seu mandato e fortalecer o Partido Liberal Democrata (PLD). A decisão reflete uma prática comum em sistemas parlamentaristas: quando um líder está no auge de sua popularidade, ele busca capitalizar esse apoio para ampliar a base parlamentar e facilitar a aprovação de políticas. A primeira-ministra, que assumiu o cargo após ser eleita líder do PLD, agora almeja um mandato direto das urnas, visando aumentar a frágil maioria de apenas um deputado que o partido detém atualmente.
Os desafios gigantescos do Japão
Apesar da imagem de perfeição muitas vezes associada ao Japão, o país enfrenta problemas estruturais profundos. Sanae Takaichi tem a missão estonteante de:
- Recarregar a economia, que permanece estagnada há anos.
- Enfrentar a ameaça chinesa, especialmente em relação a Taiwan, onde ela já alertou que uma invasão criaria um problema existencial para o Japão, devido à dependência de vias marítimas vitais.
- Abrandar o encolhimento populacional, um risco sistêmico que afeta desde a força de trabalho até a sucessão imperial.
Embora ninguém possa resolver todos esses problemas sozinho, a forma como Takaichi os aborda tem conquistado a admiração dos japoneses. Sua postura firme frente à China, por exemplo, foi recebida com entusiasmo por uma população que, por anos, demonstrou um estoicismo nipônico diante das demonstrações de poder do vizinho.
O perfil conservador e a 'alma de dragão'
Sanae Takaichi é uma figura complexa: de direita e sem disfarces, ela mantém posições conservadoras que a distanciam de tendências progressistas. Entre suas opiniões, destacam-se:
- Oposição ao casamento homossexual.
- Defesa da manutenção do sobrenome de solteira para mulheres casadas.
- Resistência à abertura da sucessão imperial para herdeiras femininas, mantendo o sistema sálico que depende atualmente de um único herdeiro direto.
No entanto, sua imagem pública é marcada por uma alma de dragão – uma referência à sua determinação e espírito de luta, talvez influenciado por seu passado como baterista de uma banda de heavy metal. Apesar da aparência frágil e dos tradicionais tailleurs e colares de pérola, ela demonstra uma resiliência que cativa os eleitores.
Contexto histórico e relações internacionais
As tensões com a China não são apenas geopolíticas, mas também históricas. A direita japonesa, da qual Takaichi faz parte, tende a adotar uma visão revisionista do passado imperial do país, um período marcado por atrocidades contra coreanos, chineses e prisioneiros de guerra aliados. Esse histórico alimenta um sentimento de revanche na China, que, após séculos de humilhação, ascendeu como potência global.
Internacionalmente, Takaichi busca alianças com figuras afins, como a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, também de direita e a primeira mulher a governar seu país. Em um gesto simbólico, presenteou Meloni com produtos Hello Kitty para sua filha, destacando uma conexão humana além da política.
A eleição e o futuro do Japão
Com a dissolução do Parlamento e apenas duas semanas de campanha, a eleição de 8 de fevereiro será um teste crucial para Sanae Takaichi. Se sua popularidade se traduzir em votos para o PLD, ela terá o capital político necessário para implementar reformas e enfrentar os desafios que assolam o Japão. Até agora, não há sinais de que a primeira-ministra esteja intimidada pela magnitude das tarefas à sua frente, mas a verdadeira batalha política está apenas começando.