Sabatinas na ONU definem candidatos à sucessão de Guterres em Nova York
Sabatinas na ONU definem candidatos à sucessão de Guterres

Sabatinas públicas na ONU marcam etapa decisiva para escolha do novo secretário-geral

Iniciaram-se nesta terça-feira, 21 de abril de 2026, em Nova York, as sabatinas públicas dos quatro candidatos à Secretaria-Geral da Organização das Nações Unidas. O processo, que se estenderá por dois dias, representa uma fase preliminar crucial na seleção do sucessor de António Guterres, cujo mandato termina no final deste ano.

Formato inovador busca transparência em processo histórico

Cada um dos postulantes será submetido a três horas de perguntas diretas de representantes dos 193 Estados-membros e da sociedade civil. Este modelo, criado em 2016, está sendo realizado pela segunda vez na história da ONU, fundada em 1945, com o objetivo claro de ampliar a transparência de um processo que tradicionalmente era conduzido a portas fechadas.

Apesar dessa abertura, a decisão final permanece concentrada no Conselho de Segurança, especialmente nos cinco membros permanentes com poder de veto: Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França. Esta dinâmica torna essencial o alinhamento político dos candidatos com os interesses dessas potências globais.

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Quatro nomes em disputa com destaque para América Latina

As audiências públicas reúnem um quarteto de candidatos com trajetórias distintas:

  • Michelle Bachelet, 74 anos, ex-presidente do Chile e ex-alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, defende que a organização precisa responder a uma "crise de confiança" global com mais cooperação.
  • Rafael Grossi, 65 anos, diplomata argentino e atual chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, enfatiza a necessidade de "retornar às bases fundacionais" da ONU.
  • Rebeca Grynspan, 70 anos, economista costa-riquenha e ex-vice-secretária-geral das Nações Unidas, ressalta a importância de fortalecer os valores da Carta da ONU.
  • Macky Sall, 64 anos, ex-presidente senegalês e único candidato fora da América Latina, sustenta que não há paz duradoura sem desenvolvimento.

O fato de três dos quatro candidatos serem da América Latina reforça significativamente a reivindicação da região por ocupar o posto, baseando-se em uma tradição informal de rodízio geográfico que tem guiado seleções anteriores.

Pressões por mudanças e contexto desafiador

Além da demanda por maior transparência, cresce também o apelo histórico para que, pela primeira vez, uma mulher assuma o cargo máximo da organização. Esta expectativa adiciona uma camada adicional de significado às candidaturas femininas em disputa.

O próximo secretário-geral assumirá suas funções em 1º de janeiro de 2027, enfrentando um cenário global particularmente complexo, marcado por:

  1. Conflitos armados como a guerra na Ucrânia
  2. Tensões geopolíticas no Oriente Médio
  3. Desafios climáticos urgentes
  4. Disputas comerciais internacionais
  5. Crises humanitárias múltiplas

As sabatinas representam, portanto, não apenas uma etapa processual, mas um momento crucial para que os candidatos demonstrem sua capacidade de liderar a organização em tempos de incerteza global. O mundo observa atentamente enquanto Nova York se torna o palco desta decisão que moldará o futuro da governança internacional.

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