Rubio no Vaticano: tensões com papa Leão XIV sobre Oriente Médio e América Latina
Rubio no Vaticano: tensões com papa Leão XIV

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, visitará o papa Leão XIV nesta quinta-feira, 4, para discutir questões relacionadas ao Oriente Médio e à América Latina. A ida de Rubio, chefe da diplomacia americana, ao Vaticano ocorre após trocas de farpas acaloradas entre o pontífice e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que chegou a afirmar que Leão era “fraco no combate ao crime e péssimo em política externa”.

Agenda de Rubio no Vaticano

Em comunicado, o Departamento de Estado informou que o secretário, católico devoto, “se reunirá com os líderes da Santa Sé para discutir a situação no Oriente Médio e os interesses mútuos no Hemisfério Ocidental (América Latina)”, enquanto “as reuniões com os seus homólogos italianos concentram-se em interesses de segurança partilhados e alinhamento estratégico”. Uma fonte italiana, sob condição de anonimato, afirmou à agência de notícias francesa AFP que Rubio participará de um encontro com a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni.

Tensões entre Trump e o Papa

Natural de Chicago, nos EUA, Leão XIV tem tido rusgas públicas com o governo Trump ao longo de seu primeiro ano de mandato. Em março, o papa afirmou que Deus rejeita as orações de “líderes com as mãos cheias de sangue”, em uma aparente resposta a comentários anteriores do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que utilizou crenças cristãs para justificar o conflito no Irã.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O embate entre Trump e Leão XIV escalou em abril, quando Trump disse que não queria “um papa que critique o presidente dos Estados Unidos por eu estar fazendo exatamente aquilo para o qual fui eleito, com uma vitória arrasadora: reduzir o crime a níveis recordes e criar o maior mercado de ações da história”. O republicano também apontou que Leão deveria ser grato a ele por ter conseguido o mais alto posto da Igreja Católica.

“Ele não estava em nenhuma lista para ser papa e só foi colocado lá pela Igreja porque era americano — e acharam que essa seria a melhor forma de lidar com o presidente Donald J. Trump. Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano. Infelizmente, Leão é fraco no combate ao crime e fraco em relação a armas nucleares — e isso não me agrada. Também não me agrada o fato de ele se reunir com simpatizantes de Obama, como David Axelrod, um perdedor da esquerda, que é um daqueles que queriam que fiéis e membros do clero fossem presos”, disse Trump.

Leão, porém, continuou a criticar líderes que usam da fé em função do poder: “Ai daqueles que manipulam a religião e o próprio nome de Deus para seus próprios ganhos militares, econômicos e políticos, arrastando o que é sagrado para a escuridão e a imundície”, disparou. Apesar das discordâncias públicas com o mandatário da Casa Branca, o papa destacou que não tem “a intenção de entrar em um debate” com Trump e que seu real interesse estava em “promover a paz”.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar