Marco Rubio defende operação na Venezuela e vê 'longo caminho' para estabilidade
Rubio defende queda de Maduro e fala em 'longo caminho' na Venezuela

Secretário de Estado dos EUA detalha operação que levou à queda de Maduro

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, compareceu nesta quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, a uma comissão no Senado americano para explicar a operação realizada em Caracas no dia 3 de janeiro, que resultou na queda e prisão do ditador Nicolás Maduro. Durante sua audiência, Rubio afirmou que o governo de Donald Trump "não pretende nem espera ter que tomar qualquer medida militar na Venezuela em nenhum momento", mas advertiu que ainda há "um longo caminho a percorrer" para estabilizar o país.

Justificativas para a intervenção americana

Antes de enfrentar questionamentos dos senadores, o chefe da diplomacia americana apresentou argumentos robustos em favor da operação contra Maduro. Ele descreveu a Venezuela como um regime operado por um narcotraficante indiciado, que se tornou uma base de operações para adversários globais dos Estados Unidos.

  • Para o Irã, a Venezuela era o principal ponto de operação no Hemisfério Ocidental.
  • Para a Rússia, servia como base principal, juntamente com Cuba e Nicarágua.
  • No caso da China, o país recebia petróleo venezuelano com descontos de até US$ 20 por barril, muitas vezes sem pagamento, em troca de quitar dívidas.

Rubio enfatizou que o petróleo, recurso do povo venezuelano, estava sendo entregue aos chineses como moeda de troca com descontos significativos, beneficiando adversários estratégicos. Além disso, ele destacou que a Venezuela era um centro de narcotráfico que cooperava abertamente com grupos como as FARC e o ELN, representando um "enorme risco estratégico" para os EUA no próprio hemisfério.

Objetivos e desafios futuros para a Venezuela

O secretário de Estado indicou que o objetivo dos Estados Unidos é alcançar "uma Venezuela livre, justa, próspera e amigável", mas ressaltou que isso não será possível em curto prazo. Ele admitiu que o processo de estabilização "vai levar algum tempo" e não acontecerá em apenas três semanas.

Rubio revelou que autoridades americanas têm mantido "conversas diretas e honestas" com as forças que atualmente controlam elementos-chave do país, como as forças de segurança e o aparato governamental. Sobre o acordo de petróleo com o governo de Delcy Rodríguez, ele o definiu como um "mecanismo de curto prazo" e temporário, destinado a atender às necessidades imediatas do povo venezuelano.

Ele elogiou as autoridades locais por aprovarem uma nova lei sobre hidrocarbonetos, que elimina muitas restrições da era Chávez ao investimento privado na indústria petrolífera. "Seus recursos naturais permitirão que a Venezuela seja estável e próspera no futuro", afirmou Rubio, visando uma transição para uma indústria petrolífera normal, livre de corrupção e apadrinhamento.

Progresso e perspectivas para o país

O secretário também enfatizou a importância de criar espaço para diferentes vozes políticas na Venezuela e apelou pela libertação dos presos políticos. Apesar dos desafios, ele afirmou que os EUA e a Venezuela estão "fazendo um progresso bom e decente".

Rubio concluiu otimista, declarando que a situação atual é melhor do que há quatro semanas e expressou esperança de que estará ainda mais avançada nos próximos meses. "Certamente estamos em uma situação melhor hoje na Venezuela do que estávamos há quatro semanas. E acho, espero e acredito que estaremos em uma situação melhor daqui a três meses, seis meses, nove meses do que estaríamos se Maduro ainda estivesse lá", finalizou o secretário de Estado, reforçando sua visão de um futuro mais promissor para o país.