Rússia avalia negociações com Ucrânia e EUA em Abu Dhabi como produtivas, mas destaca desafios
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou nesta segunda-feira, 26 de janeiro de 2026, que as negociações para encerrar a guerra na Ucrânia apresentam possíveis sinais de progresso, mas ainda não há grandes avanços e existem grandes desafios no caminho para um acordo final. A declaração segue reuniões realizadas na sexta-feira e no sábado entre autoridades russas, ucranianas e americanas em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos.
Detalhes das conversas e perspectivas futuras
Segundo Peskov, as conversas foram produtivas e uma nova rodada de negociações está prevista para a próxima semana, com possibilidade de ocorrer já no próximo final de semana, conforme fontes da diplomacia americana ouvidas pela Associated Press. "O simples fato de esses contatos terem começado de forma construtiva já pode ser avaliado positivamente, mas ainda há muito trabalho pela frente", disse o porta-voz do Kremlin, destacando a complexidade do processo.
Autoridades divulgaram poucos detalhes das negociações recentes, mas confirmaram que abrangeram uma ampla gama de assuntos militares e econômicos, incluindo a possibilidade de um cessar-fogo antes de um acordo abrangente. Embora autoridades ucranianas e russas tenham concordado em princípio com os apelos de Washington por um compromisso, Moscou e Kiev divergem profundamente sobre como esse acordo deveria ser estruturado.
Divergências centrais: Donbas e Otan
A Rússia, que controla cerca de 20% do território ucraniano, exige a retirada completa das tropas ucranianas da região do Donbas, no leste do país, e que Kiev se comprometa a não aderir à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Para os ucranianos, essas exigências representariam um golpe duro e, na prática, uma recompensa ao Estado agressor que iniciou o conflito.
O líder da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou reiteradamente que ceder terras a Moscou é uma "linha vermelha", embora tenha soado menos firme antes da reunião em Abu Dhabi. "O Donbas é uma questão fundamental que será discutida da maneira que as três partes considerarem adequada", declarou Zelensky, reforçando a sensibilidade do tema.
Garantias de segurança e contexto do conflito
Zelensky também afirmou no domingo que um documento que estabelece as garantias de segurança dos EUA para a Ucrânia em um cenário pós-guerra está "100% pronto", embora ainda precise ser formalmente assinado. Kiev tem insistido em compromissos de segurança americanos como parte de qualquer acordo de paz mais amplo com Moscou, após a anexação ilegal da Crimeia pela Rússia em 2014 e o apoio aos rebeldes separatistas no leste da Ucrânia, seguidos pela invasão em grande escala em fevereiro de 2022.
Nos últimos meses, Moscou intensificou os ataques contra a rede energética ucraniana, causando apagões massivos e cortes no fornecimento de energia e calefação, especialmente na capital, em pleno inverno e temperaturas polares. No Fórum de Davos, na semana passada, Zelensky voltou a cobrar os aliados europeus por mais assistência de defesa, além de repetir que Putin precisa ser pressionado a fazer concessões, enquanto Moscou não parece ter movido um milímetro de suas exigências maximalistas.
As negociações continuam sendo monitoradas de perto pela comunidade internacional, com expectativas cautelosas sobre um possível avanço nas próximas semanas.