O governo russo reagiu com firmeza nesta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, ao reforço militar da Otan na Groenlândia, classificando como um "mito" a narrativa de que a Rússia representaria uma ameaça ao território autônomo dinamarquês. A declaração foi feita pela porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, em meio a um aumento significativo das tensões geopolíticas na estratégica região do Ártico.
Reação russa ao reforço militar da Otan
A posição de Moscou surge como resposta direta à confirmação do vice-primeiro-ministro groenlandês, Mute Egede, sobre o deslocamento de tropas adicionais da Aliança Atlântica para a ilha. Essa decisão foi tomada após uma reunião na Casa Branca entre autoridades americanas e representantes da Dinamarca e da Groenlândia.
Para a chancelaria russa, o movimento representa "mais uma provocação dos países ocidentais". Zakharova afirmou que a ideia de uma ameaça russa é promovida "de forma persistente há muitos anos" pela Dinamarca e seus aliados, tornando-se agora "especialmente contraditória" diante do renovado interesse público dos Estados Unidos em controlar a Groenlândia.
O interesse americano e a busca por autonomia
O cenário ficou ainda mais complexo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltar a defender abertamente o controle americano sobre a ilha. A Groenlândia é considerada um território de alto valor estratégico, tanto pela sua localização militar no Ártico quanto pelas suas vastas reservas de recursos minerais.
A Casa Branca já admitiu avaliar a possibilidade de comprar a ilha e não descartou uma eventual intervenção militar. No entanto, essa perspectiva é majoritariamente rejeitada pela população local de quase 60 mil habitantes e pelos partidos políticos groenlandeses, que insistem no direito de decidir seu próprio futuro.
A Groenlândia foi uma colônia dinamarquesa até 1953, conquistou seu estatuto de autonomia em 1979 e, desde então, estuda formas de aprofundar sua autodeterminação, podendo chegar à independência total.
Críticas aos fóruns internacionais e acusações mútuas
Em uma nota divulgada na quarta-feira, 14 de janeiro, a embaixada russa em Bruxelas, sede da Otan, acusou a organização de ignorar os mecanismos de cooperação multilateral existentes. Segundo Moscou, a Otan optou por "acelerar a militarização do Norte" em vez de atuar de forma construtiva em instâncias como o Conselho Ártico.
A Rússia sustenta que a Aliança usa como justificativa para sua expansão uma ameaça "imaginária" vinda não apenas de Moscou, mas também de Pequim. Esta postura, segundo análise do governo russo, visa impor regras ocidentais em uma região historicamente marcada pela cooperação internacional em áreas como pesquisa científica e proteção ambiental.
O impasse coloca a Groenlândia no centro de uma disputa geopolítica de grandes proporções, tensionando as relações entre Rússia, Estados Unidos, União Europeia e a Otan, com repercussões diretas para a frágil estabilidade do Ártico.



