Rússia alerta: fim do tratado nuclear Novo START tornará mundo 'mais perigoso do que nunca'
Rússia alerta sobre fim de tratado nuclear com EUA

O governo russo emitiu um alerta grave nesta terça-feira, dia 3 de fevereiro de 2026, afirmando que o mundo está prestes a entrar em uma fase de perigo nuclear sem precedentes. Isso ocorre devido à iminente expiração do tratado Novo START, o último acordo de limitação de armamentos atômicos em vigor entre os Estados Unidos e a Rússia, que deve terminar na quinta-feira, dia 5.

Advertência do Kremlin sobre um futuro incerto

Em declarações à imprensa, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, foi enfático ao afirmar que "em poucos dias, o mundo estará numa posição mais perigosa do que nunca". Ele destacou que, sem a prorrogação do tratado, as duas principais potências nucleares do planeta ficarão sem um documento fundamental que controle e limite seus arsenais atômicos, o que pode desencadear uma instabilidade global significativa.

Proposta de prorrogação e a espera por uma resposta

A Rússia já apresentou uma proposta para estender o acordo por mais um ano, mas, segundo Peskov, "ainda não recebemos resposta dos americanos à iniciativa". Essa incerteza ocorre em um contexto de tensões crescentes entre os dois países, agravadas por conflitos como a guerra na Ucrânia e outras disputas geopolíticas.

O que é o tratado Novo START e sua importância histórica

Assinado em 2010 pelos então presidentes Dmitry Medvedev, da Rússia, e Barack Obama, dos Estados Unidos, o Novo START estabelece limites rigorosos para os arsenais nucleares de ambas as nações. Entre suas principais disposições, estão:

  • Um teto de 800 lançadores e bombardeiros pesados para cada parte.
  • Um limite de 1.550 ogivas estratégicas ofensivas instaladas, representando uma redução de quase 30% em comparação com acordos anteriores.
  • Um mecanismo de supervisão mútua para garantir a transparência e a verificação do cumprimento.

Desafios recentes e a suspensão de inspeções

Nos últimos anos, o tratado enfrentou diversos obstáculos. Durante a pandemia de Covid-19, a Rússia suspendeu as inspeções de verificação, e as negociações para sua ampliação foram rompidas devido às tensões relacionadas à guerra na Ucrânia. Além disso, Moscou acusou Washington de dificultar missões de vigilância em território americano, o que contribuiu para um congelamento da participação russa no acordo em 2023, embora os limites tenham sido respeitados voluntariamente.

Contexto de tensões nucleares e ações recentes

A retórica nuclear tem se intensificado ao longo do conflito na Ucrânia. Em 2025, a Rússia testou seus mais novos porta-aviões com capacidade atômica, uma demonstração de força que elevou as preocupações internacionais. Em resposta, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, despachou dois submarinos movidos a propulsão nuclear em direção à Rússia, aumentando ainda mais as tensões entre as potências.

Trump havia comentado em setembro do ano passado que uma prorrogação do Novo START "soa como uma boa ideia", mas desde então, poucas ações concretas foram tomadas para garantir a continuidade do acordo. Com o prazo de expiração se aproximando rapidamente, a comunidade internacional observa com apreensão as possíveis consequências de um mundo sem esse tratado crucial, que por anos serviu como um pilar da segurança global.