Relógio do Juízo Final avança para 85 segundos em 2026, pior nível da história
Relógio do Juízo Final atinge 85 segundos, pior nível histórico

Relógio do Juízo Final atinge pior marca histórica em 2026

O ano de 2026, marcado pelo turbulento retorno de Donald Trump à Casa Branca, testemunhou os ponteiros do Relógio do Juízo Final se aproximarem ainda mais da meia-noite simbólica que representa o fim do mundo como o conhecemos. Na edição divulgada nesta terça-feira (27) pelo Boletim dos Cientistas Atômicos, o instrumento foi ajustado de 89 para 85 segundos antes da hora fatídica, estabelecendo o pior nível desde sua criação em 1947.

Fatores que impulsionaram o avanço do ponteiro

Um comitê de especialistas analisa anualmente aspectos da segurança global para determinar a proximidade do planeta com um possível apocalipse. Alexandra Bell, presidente do Boletim, enfatizou que o Relógio é tanto uma metáfora quanto um chamado à ação. "Não houve avanços suficientes, e tivemos de mover o Relógio", declarou durante o evento de lançamento.

Os analistas criticaram diversos aspectos da administração Trump, mas também destacaram o comportamento agressivo de potências como Rússia e China, exortando os líderes desses três países a mudarem de atitude, apesar de suas tendências autocráticas. "Obviamente, os atos dessa administração [dos EUA] ajudaram a mover o Relógio", afirmou Bell, acrescentando que o presidente está destruindo décadas de controle de armas nucleares e atacando instrumentos para conter a crise climática.

Cenário global de instabilidade e conflitos

O segundo mandato de Trump foi caracterizado por voluntarismo e intervencionismo extremos, contribuindo para um mundo mais instável. Apesar de alegações de ter encerrado sete guerras e pleitear o Nobel da Paz, a realidade mostra um cenário diferente:

  • Bombardeio ao programa nuclear do Irã e ameaças de ações mais amplas
  • Fracasso em acabar rapidamente com o conflito na Ucrânia
  • Mineração do sistema multilateral, com retirada de dezenas de organismos internacionais
  • Ataques diretos a aliados europeus, incluindo ameaças à Dinamarca sobre a Groenlândia

Além disso, a Estratégia de Segurança Nacional proposta pelo Departamento de Defesa prevê a recriação de zonas de influência explícita na América Latina, como demonstrado na recente ação contra Nicolás Maduro.

Novas ameaças tecnológicas e desinformação

O painel do Boletim expandiu suas preocupações além das armas nucleares e mudanças climáticas, incorporando riscos emergentes:

  1. Inteligência Artificial: Cortes de fundos para uso protetivo da IA e seu emprego para espalhar desinformação, inclusive pelo presidente Trump
  2. Riscos Biológicos: Possível uso da IA para criar ameaças biológicas
  3. Apocalipse Informativo: Destacado pela jornalista filipina Maria Ressa, Nobel da Paz em 2021

"Em 2025, nós fracassamos em conter as ameaças em todas as áreas", lamentou Steve Fetter, membro do comitê.

Contexto histórico e perspectivas futuras

O mundo nunca foi considerado tão perigoso na análise do prestigioso Boletim. Para comparação:

  • 1953: Dois minutos para a meia-noite durante tensões europeias e Guerra da Coreia
  • 1962: Doze minutos para a meia-noite na crise dos mísseis cubanos
  • 1991: Dezessete minutos para a meia-noite com o fim da União Soviética

Um momento crítico se aproxima: em 5 de fevereiro, expira o Novo Start, último tratado de controle de armas nucleares entre EUA e Rússia, nações que detêm 90% das ogivas atômicas globais. "Pela primeira vez em 50 anos, não teremos para evitar uma corrida armamentista sem controle", alertou o especialista Daniel Holz.

Recomendações para reverter a tendência

O Boletim propõe quatro medidas imediatas para começar a afastar os ponteiros da meia-noite:

  1. Retomada do controle de armas nucleares
  2. Cooperação internacional para prevenir uso da IA em riscos biológicos
  3. Interrupção pelo Congresso das políticas contra energia renovável
  4. Acordo entre EUA, Rússia e China para regular IA no comando de arsenais atômicos

"Nossa trajetória atual é insustentável", conclui o relatório explicativo do Boletim, reforçando a urgência de ações concretas para evitar que os ponteiros continuem sua marcha inexorável em direção ao simbólico fim dos tempos.