Relógio do Juízo Final atinge 85 segundos para meia-noite, alerta para risco de autoaniquilação
Relógio do Juízo Final a 85 segundos da meia-noite

Relógio do Juízo Final atinge marca histórica de 85 segundos para a meia-noite

Em um sinal alarmante para a humanidade, o Relógio do Juízo Final foi ajustado para 85 segundos antes da meia-noite, o menor tempo já registrado desde sua criação. Este marco simbólico, anunciado nesta terça-feira, 27 de janeiro de 2026, reflete a crescente preocupação dos cientistas com a instabilidade global e os riscos de autoaniquilação.

Fatores que impulsionaram o ajuste do relógio

O Bulletin of the Atomic Scientists, ONG responsável pelo relógio desde 1947, citou uma combinação perigosa de elementos como motivos para o avanço em direção à meia-noite. Entre os principais impulsionadores estão:

  • Instabilidade geopolítica envolvendo Estados Unidos, China e Rússia, com tensões que ameaçam a segurança internacional.
  • Conflitos armados em curso, como a guerra em Gaza e a manutenção da Guerra na Ucrânia, que elevam o risco de escalada nuclear.
  • Avanço indiscriminado da inteligência artificial, que pode ser usada para disseminar desinformação ou em sistemas militares perigosos.

Alexandra Bell, presidente do Bulletin e especialista em política nuclear, destacou que "nada em 2025 apareceu na direção certa" em termos de riscos nucleares. Ela apontou o colapso de estruturas diplomáticas e eventos como bombardeios no Irã e conflitos fronteiriços entre Índia e Paquistão como fatores críticos.

Preocupações regionais e o papel da tecnologia

As ameaças se estendem por várias regiões do mundo. Na Ásia, a China intensificou as ameaças contra Taiwan, enquanto na América do Norte, a gestão de Donald Trump nos Estados Unidos causa desconforto devido a uma postura agressiva e pouco diplomática. Além disso, a inteligência artificial é vista como uma ferramenta que pode amplificar riscos, desde a criação de ameaças biológicas até a circulação rápida de mentiras.

Maria Ressa, jornalista ganhadora do Nobel da Paz em 2021, lamentou o que chamou de "Armagedom da informação" provocado pela tecnologia. Ela criticou a IA generativa, afirmando que "seu chatbot não passa de uma máquina probabilística", sem ancoragem em fatos, o que pode desestabilizar sociedades.

Processo de decisão e implicações futuras

A decisão sobre o horário do relógio foi tomada por um conselho de especialistas, incluindo Bell, Ressa e outros como Daniel Holtz e Steve Fetter. Este é o terceiro avanço em direção à meia-noite nos últimos quatro anos, indicando uma tendência preocupante de aumento dos riscos globais.

Os cientistas alertam que, sem ações concretas para reduzir tensões e regular tecnologias emergentes, a humanidade pode se aproximar ainda mais do ponto teórico de um apocalipse nuclear. O relógio serve como um lembrete urgente para a necessidade de cooperação internacional e medidas de segurança.