Reino Unido e China reatam laços com investimento bilionário e isenção de vistos
Reino Unido e China reatam laços com investimento bilionário

Reaproximação histórica: Reino Unido e China selam nova era de cooperação com investimento bilionário

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, e o presidente da China, Xi Jinping, celebraram nesta quinta-feira, 29 de janeiro de 2026, uma significativa reaproximação diplomática entre os dois países. O encontro em Pequim, o primeiro de um chefe de governo britânico em oito anos, sinaliza um momento de virada nas relações bilaterais, impulsionado por parcerias econômicas de grande escala e gestos de boa vontade.

Acordo bilionário da AstraZeneca impulsiona laços econômicos

Durante a reunião, que durou aproximadamente três horas e incluiu uma cúpula formal seguida de almoço, os líderes anunciaram um investimento monumental da farmacêutica britânica AstraZeneca em suas operações na China. O acordo prevê um aporte de US$ 15 bilhões, uma movimentação que, segundo Starmer, beneficiará ambas as nações e reflete o compromisso com uma colaboração mais profunda.

Em meio aos esforços do premiê trabalhista para entregar o crescimento econômico prometido em campanha, a melhoria das relações com Pequim tornou-se uma prioridade estratégica. "A China é um ator vital no cenário global, e é fundamental que construamos uma relação mais sofisticada", declarou Starmer a Xi, destacando a importância de identificar oportunidades de cooperação enquanto mantém diálogo sobre divergências.

Novas facilidades diplomáticas e gestos simbólicos

Além do acordo financeiro, a visita rendeu conquistas práticas para cidadãos e negócios. Starmer anunciou um novo entendimento que isenta britânicos de vistos para estadias na China com duração inferior a 30 dias. Adicionalmente, avançou-se em negociações para reduzir tarifas sobre uísque escocês, um produto emblemático das exportações do Reino Unido.

O tom caloroso do encontro foi reforçado por momentos de descontração. Os líderes conversaram sobre clubes da Premier League, que possuem uma vasta base de torcedores na China, enquanto compartilhavam uma refeição que incluiu bolinhos de arroz doce e bacalhau assado. Em um gesto simbólico de boa fé, Starmer presenteou Xi com a bola utilizada em uma partida entre Manchester United, time favorito do presidente chinês, e Arsenal, clube do próprio premiê.

Contexto de tensões superadas e desafios persistentes

Esta reaproximação ocorre após um período de deterioração nas relações durante governos conservadores anteriores no Reino Unido, marcado por restrições a investimentos chineses devido a preocupações com segurança nacional e o apoio de Pequim à Rússia na guerra na Ucrânia. Xi reconheceu que as "reviravoltas" no relacionamento não serviram aos interesses de nenhum dos lados e expressou disposição para uma parceria de longo prazo.

No entanto, ressalvas sobre questões como direitos humanos e espionagem permanecem como pontos de discórdia. Starmer enfatizou a necessidade de um diálogo franco sobre essas áreas, mesmo enquanto se busca colaboração em outros fronts.

Cenário global de incertezas impulsiona realinhamento

A aproximação entre Londres e Pequim ganha relevância em um contexto internacional marcado por crescente tensão, especialmente devido às ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Seu primeiro mandato foi caracterizado por políticas comerciais agressivas e imprevisibilidade econômica, enquanto ameaças recentes de assumir o controle da Groenlândia, território dinamarquês, abalaram relações com aliados europeus, incluindo o Reino Unido.

Diante desse cenário, a reaproximação sino-britânica emerge como uma estratégia para estabilidade e crescimento mútuo. "O relacionamento está em um bom momento", definiu Starmer, respondendo com um taxativo "Sim" quando questionado se Xi é um parceiro confiável de negócios. A visita histórica, portanto, não apenas reata laços diplomáticos, mas posiciona ambos os países em uma nova era de colaboração que promete resistir ao teste do tempo.