PSD forma bloco de governadores para desafiar Lula e isolar bolsonarismo
O ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, presidente do PSD, conseguiu uma articulação política de alto impacto ao reunir três governadores estaduais que ambicionam enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de outubro de 2026. A movimentação envolve Ronaldo Caiado, de Goiás, que migrou do União Brasil para se juntar aos já filiados Ratinho Jr., do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul.
Estratégia eleitoral e isolamento de Flávio Bolsonaro
Com essa manobra, o PSD fortalece sua base em três dos maiores colégios eleitorais do país, posicionando-se como uma força central na campanha anti-Lula. Um dos governadores será escolhido como candidato presidencial do partido, com os demais apoiando a candidatura e possivelmente concorrendo ao Senado, conforme declarado por Caiado.
Um efeito imediato e significativo é o maior isolamento político de Flávio Bolsonaro, virtual candidato do Partido Liberal (PL). Ele surge como a primeira vítima dessa estratégia, que busca oferecer alternativas à direita sem a submissão ao radicalismo associado ao clã Bolsonaro.
Perfil dos governadores e rejeição ao bolsonarismo
Os três governadores trazem experiências de gestão estadual e rejeitam o centralismo e extremismo que marcam a política bolsonarista. Caiado, por exemplo, teve embates abertos com Jair Bolsonaro e derrotou candidatos bolsonaristas nas eleições municipais de 2024 em Goiás, demonstrando capacidade de confronto direto.
Até as convenções partidárias de junho, será possível avaliar a efetividade desse cerco ao bolsonarismo, que visa desidratar o apoio eleitoral de Flávio Bolsonaro entre os eleitores anti-Lula.
Cenário eleitoral e pesquisas de intenção de voto
O cenário político mostra Lula estagnado em torno de 40% nas pesquisas há aproximadamente um ano e meio, enquanto os possíveis adversários permanecem em patamares inferiores, com média de 35% de intenções de voto. Flávio Bolsonaro se destaca negativamente, com rejeição acima de 50%, rivalizando apenas com Lula nesse aspecto.
A articulação de Kassab, portanto, não apenas redefine as alianças partidárias, mas também introduz novas variáveis na disputa presidencial, potencialmente fragmentando o eleitorado de oposição e aumentando a pressão sobre o bolsonarismo.