Manifestações nacionais nos EUA protestam contra política migratória de Trump
Milhares de manifestantes ocuparam as ruas de diversas cidades dos Estados Unidos nesta sexta-feira, 30 de janeiro, em um protesto de proporções nacionais contra as operações de imigração e as políticas do governo do presidente Donald Trump. A mobilização, que se espalhou desde o estado de Washington, no extremo oeste, até a Nova Inglaterra, no leste do país, foi marcada por uma significativa presença policial com agentes mascarados monitorando os atos.
Indignação nacional e mobilização massiva
A indignação provocada pelas mortes de dois manifestantes americanos baleados por agentes federais segue mobilizando o país. Grandes protestos foram registrados em cidades como Minneapolis, Los Angeles, Houston, Nova York, Atlanta, Portland e Detroit, entre muitas outras. Comércios e restaurantes fecharam as portas em solidariedade aos manifestantes, enquanto estudantes abandonaram as aulas para tomar as ruas. No Arizona, algumas escolas cancelaram o dia de aula em antecipação à ausência em massa dos alunos.
Os manifestantes marcharam apesar do frio intenso, com temperaturas chegando a -17°C, carregando cartazes críticos ao presidente Donald Trump e ao ICE, a agência federal de imigração, cujos métodos agressivos são amplamente contestados. "Eu moro aqui e não acho que nosso governo deva nos aterrorizar dessa forma", declarou Sushma Santhana, engenheira de 24 anos, em entrevista à AFP. Outra manifestante, Connie, acrescentou: "Estamos tentando expulsá-los daqui", referindo-se aos agentes anti-imigração.
Mortes de civis e reações artísticas
Um dos mortos, o enfermeiro Alex Pretti, atingido por dez tiros por agentes do ICE em 24 de janeiro, foi rotulado de "encrenqueiro" por Donald Trump. Em Minneapolis, a lenda do rock Bruce Springsteen, de 76 anos, subiu ao palco para cantar uma música em homenagem às vítimas, composta especialmente após a morte de Alex Pretti. Em sua plataforma Truth Social, o presidente condenou a "demonstração de violência" do enfermeiro, em referência a um vídeo viral que o mostra resistindo à prisão por agentes federais 11 dias antes de sua morte.
O Departamento de Justiça dos EUA anunciou ter aberto uma nova investigação sobre a morte de Alex Pretti, focando na violação de seus direitos fundamentais. Antes dele, Renee Good, uma mãe de 37 anos, foi morta em 7 de janeiro por um agente do ICE. Os opositores dessa política continuam se mobilizando de Nova York, na costa leste, a Los Angeles, na costa oeste, reunindo cerca de mil pessoas em cada ocasião.
Retórica presidencial e prisão de jornalistas
Depois de falar em "desescalada" e indicar, por meio de seu enviado Tom Homan, que poderia reduzir o número de agentes que realizam batidas em Minneapolis, Trump lançou outro ataque virulento contra os manifestantes nesta sexta-feira, chamando-os de "insurgentes" e "agitadores financiados por rebeldes profissionais". Tom Homan afirmou à Fox News que Donald Trump ainda pretende "prosseguir com a deportação em massa" de imigrantes.
No contexto da cobertura dos recentes protestos, dois jornalistas americanos foram presos. A procuradora-geral Pam Bondi se vangloriou no X de ter supervisionado "pessoalmente" a prisão do ex-âncora da CNN Don Lemon, que está sendo processado por obstrução da liberdade religiosa por cobrir um protesto em uma igreja em Minnesota. Outras pessoas, incluindo um jornalista freelancer, também foram presas, mas todos foram liberados, segundo a imprensa americana, embora Don Lemon deva comparecer ao tribunal em Minneapolis no início de fevereiro. "Não vou parar agora", declarou ele. "Nunca foi tão importante ter uma mídia livre e independente que traga a verdade à tona e responsabilize os poderosos." O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) condenou um "ataque flagrante" à imprensa.
Críticas políticas e contexto internacional
O governador democrata da Califórnia, Gavin Newsom, um dos principais opositores do governo Trump, comentou no X de forma sarcástica e amarga que o presidente russo Vladimir Putin "ficaria orgulhoso" do que está ocorrendo nos Estados Unidos. Essa declaração reflete a tensão política que envolve as manifestações, destacando as divisões profundas no cenário político americano em relação às políticas migratórias e aos direitos civis.
Os protestos continuam a ecoar por todo o país, com os manifestantes demonstrando resiliência diante das adversidades climáticas e da forte presença policial. A mobilização nacional evidencia um crescente descontentamento com as práticas do ICE e as diretrizes do governo Trump, colocando em pauta questões fundamentais sobre imigração, liberdade de expressão e a proteção dos direitos humanos nos Estados Unidos.