Protestos nos EUA contra ICE e morte de enfermeiro geram investigação federal e prisão de jornalistas
Protestos nos EUA contra ICE geram investigação e prisão de jornalistas

Onda de protestos nos Estados Unidos contesta política de imigração e morte de enfermeiro

Uma onda de manifestações se espalhou por diversas cidades dos Estados Unidos nesta sexta-feira, dia 30, com milhares de pessoas saindo às ruas para protestar contra a política de imigração do governo do presidente Donald Trump. Os atos foram motivados principalmente pela morte do enfermeiro Alex Pretti, ocorrida no sábado, 24, após uma intervenção de agentes federais de imigração em Minneapolis.

Investigação federal e mudança no comando do caso

O Departamento de Justiça anunciou a abertura de uma investigação para apurar possíveis violações dos direitos civis de Alex Pretti. Paralelamente, o FBI, a Polícia Federal americana, assumiu o comando das investigações, substituindo o Departamento de Segurança Interna, órgão responsável pelos agentes envolvidos no incidente.

Essa decisão representa um significativo recuo na postura inicial do governo, que havia classificado Pretti como terrorista doméstico. No entanto, a posição oficial demonstra incoerências, conforme evidenciado pelas declarações do presidente Trump.

Declarações contraditórias de Trump e reações locais

Nesta mesma sexta-feira, o presidente Donald Trump criminalizou Alex Pretti, referindo-se a ele como "agitador" e "insurgente". A acusação foi baseada em um vídeo gravado onze dias antes da morte, no qual Pretti aparece chutando um carro do ICE e sendo imobilizado por agentes por vinte segundos – ação que, segundo as autoridades, não teve relação direta com o óbito.

Trump também afirmou que não retirará os agentes federais de Minneapolis, contradizendo uma declaração anterior de Tom Homan, principal autoridade de imigração da Casa Branca, que havia sinalizado uma redução no efetivo. O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, criticou a operação, defendendo seu término e alertando que os princípios democráticos americanos estão sendo questionados.

Protestos em meio ao frio intenso e homenagem de Bruce Springsteen

As manifestações ocorreram sob condições climáticas adversas, com temperaturas extremamente baixas. Em Minneapolis, onde os termômetros marcaram -15ºC, uma multidão marchou pelo centro da cidade, exigindo a retirada dos agentes federais e justiça para Alex Pretti.

O cantor Bruce Springsteen esteve presente no local e prestou solidariedade, apresentando uma música que critica a violência do ICE. A canção rapidamente se tornou a mais baixada em uma das principais plataformas de compartilhamento musical dos Estados Unidos, ampliando o alcance da mensagem.

Prisão de jornalistas durante cobertura gera alerta sobre liberdade de imprensa

Em um episódio paralelo e preocupante, o jornalista Don Lemon, ex-âncora da CNN, e a repórter independente Georgia Fort foram presos durante a cobertura de um protesto contra o ICE ocorrido em uma igreja de St. Paul, Minnesota, no dia 18. O Departamento de Justiça justificou a detenção citando uma lei que protege o direito de participação em cultos religiosos.

Antes de ser presa, Georgia Fort gravou um vídeo afirmando: "É difícil entender que temos direitos constitucionais quando posso ser presa por fazer parte da imprensa". A professora Amy Kristin Sanders, especialista em liberdade de expressão na Universidade Estadual da Pensilvânia, classificou a prisão como "assustadora", levantando questões sobre a garantia das liberdades fundamentais no contexto atual.

Os protestos e os desdobramentos do caso Alex Pretti evidenciam uma crescente tensão social e política nos Estados Unidos, com repercussões significativas no debate público sobre imigração, direitos civis e liberdade de expressão.