Protesto em Minneapolis contra ICE de Trump a -20°C e retirada de agentes
Em meio a temperaturas gélidas de -20°C, uma vigília em Minneapolis mobilizou manifestantes contra as ações do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) durante o governo de Donald Trump. O protesto ocorreu em um contexto de tensão crescente, com o prefeito da cidade, Jacob Frey, anunciando um acordo para a retirada de alguns agentes federais da região.
Acordo entre prefeito e presidente
Através de um comunicado na rede social X, o prefeito Jacob Frey revelou que teve uma conversa produtiva com o presidente Donald Trump na terça-feira, 27 de fevereiro. Frey destacou que o presidente concordou que a situação atual é insustentável e autorizou o início da retirada dos agentes do ICE a partir da quarta-feira, 28 de fevereiro.
O prefeito enfatizou os benefícios trazidos pelas comunidades imigrantes para Minneapolis e reiterou seu principal pedido: o fim da Operação Metro Surge. Alguns agentes federais começarão a deixar a área amanhã, e continuarei pressionando para que os demais envolvidos nesta operação também se retirem, afirmou Frey.
Encontro com o czar da fronteira
Jacob Frey também confirmou que se reunirá com Tom Homan, conhecido como o czar da fronteira do governo Trump, na quarta-feira. Homan foi enviado à cidade após a retirada do comandante da patrulha, Gregory Bovino, do comando da operação.
O prefeito deixou claro que, embora colabore com o governo federal, não apoia prisões inconstitucionais. Minneapolis continuará a cooperar com as autoridades policiais estaduais e federais em investigações criminais reais, mas não participaremos de prisões inconstitucionais de nossos vizinhos nem aplicaremos a lei federal de imigração, declarou. Criminosos violentos devem ser responsabilizados pelos crimes que cometem, e não por sua origem, completou.
Ordem judicial contra o ICE
Paralelamente, o juiz federal-chefe de Minnesota, Patrick J. Schiltz, emitiu uma decisão contundente na segunda-feira. Ele determinou que Todd Lyons, diretor interino do ICE, compareça pessoalmente ao tribunal na sexta-feira para explicar o descumprimento de ordens judiciais relacionadas a audiências de imigrantes detidos.
Schiltz criticou a forma como o governo conduziu as audiências de fiança e destacou a paciência do tribunal, mesmo após o envio de milhares de agentes para Minnesota. Este tribunal foi extremamente paciente com os réus, mesmo depois de eles terem decidido enviar milhares de agentes para Minnesota para deter estrangeiros sem tomar qualquer providência para lidar com as centenas de pedidos de habeas corpus e outros processos judiciais que certamente surgiriam, escreveu o juiz.
Contexto de violência e pressão
A decisão judicial foi emitida um dia após o presidente Donald Trump ordenar que Tom Homan assumisse a ofensiva migratória em Minnesota, após a segunda morte neste mês de uma pessoa pelas mãos de um agente da imigração. O caso gerou revolta e pressionou republicanos a se manifestarem contra a truculência do ICE.
O juiz Schiltz reconheceu que ordenar o comparecimento pessoal do chefe de uma agência federal é algo extraordinário, mas justificou: a dimensão das violações das ordens judiciais pelo ICE também é extraordinária, e medidas menos severas já foram tentadas e falharam. A decisão afeta um detido identificado como Juan T.R., que aguarda uma audiência de fiança desde 14 de janeiro.
Enquanto isso, protestos continuam em Minneapolis, com manifestantes segurando cartazes em frente ao escritório da senadora democrata Amy Klobuchar, exigindo justiça e o fim das operações agressivas do ICE. A situação permanece em evolução, com a retirada dos agentes e as audiências judiciais definindo os próximos capítulos deste conflito entre políticas de imigração e direitos constitucionais.