Ataques dos EUA não afetam produção da PDVSA, mas embargo corta exportações pela metade
Produção da PDVSA normal após ataques, mas embargo dos EUA afeta exportações

As operações de produção e refino de petróleo da estatal venezuelana PDVSA mantiveram-se normais neste sábado (3), segundo avaliações preliminares. As instalações mais importantes do setor energético não registraram danos significativos após os recentes ataques realizados pelos Estados Unidos, que têm como objetivo pressionar a saída do presidente Nicolás Maduro do poder.

Impacto imediato dos ataques e situação dos portos

Duas fontes com conhecimento direto das operações da empresa confirmaram a normalidade nas atividades principais. No entanto, uma dessas fontes indicou que o porto de La Guaira, localizado próximo à capital Caracas e um dos maiores do país, sofreu danos consideráveis. É importante ressaltar que este porto não é utilizado para operações ligadas ao petróleo.

As ações militares americanas ocorrem em um contexto de intensificação das sanções econômicas. Em dezembro, o governo Trump anunciou um bloqueio à entrada e saída de petroleiros do país, o que resultou na apreensão de dois carregamentos de petróleo venezuelano por parte dos EUA.

Queda drástica nas exportações e acúmulo de estoques

O cerco financeiro e logístico imposto por Washington produziu um efeito devastador sobre as vendas externas do país. De acordo com dados de monitoramento e documentos internos, as exportações da Venezuela, membro da OPEP, caíram para cerca de metade dos 950.000 barris por dia (bpd) registrados em novembro.

O medo de sanções fez com que muitas empresas de transporte marítimo evitassem as águas venezuelanas. Essa fuga em massa levou a um aumento rápido dos estoques de petróleo bruto e combustível da PDVSA. Para evitar a paralisação da produção ou do refino, a empresa foi obrigada a reduzir o ritmo das entregas nos portos e a armazenar o produto em navios-tanque.

Embargo histórico e crise estrutural

O embargo americano ao petróleo venezuelano, imposto em 2019, visava asfixiar economicamente o país e desestabilizar o governo Maduro. A medida atingiu o coração da frágil economia nacional. Antes de sua implementação, o petróleo respondia por 96% das receitas nacionais, sendo que três quartos dessas receitas petrolíferas vinham de clientes americanos.

Sem acesso ao mercado formal, a Venezuela passou a vender sua produção no mercado negro a preços muito reduzidos, com a China como principal destino. Nas últimas semanas, Washington decretou um "bloqueio total" contra petroleiros sancionados que se dirigem ou partem do país, com confisco de embarcações. Caracas classificou o anúncio como uma "ameaça grotesca".

Apesar do cenário, a americana Chevron obteve uma licença especial em julho para operar no país. A produção venezuelana, que já foi de 3,5 milhões de barris por dia em 2008, hoje não chega a um milhão, segundo a OPEP. Este colapso é atribuído não apenas às sanções, mas também à decadência do sistema de extração, minado por corrupção e má gestão.

A Venezuela, que enfrentou uma grave crise econômica entre 2014 e 2021, permanece em situação precária. O governo Maduro insiste em atribuir toda a responsabilidade pelas dificuldades às sanções impostas por Washington, enquanto o país tenta manter suas operações vitais de petróleo em funcionamento.