Prefeito de Budapeste é acusado judicialmente por liderar Parada Gay proibida
Prefeito de Budapeste acusado por liderar Parada Gay proibida

Prefeito de Budapeste vira réu por desafiar veto e comandar parada gay

Promotores húngaros apresentaram acusações formais contra o prefeito de Budapeste, Gergely Karácsony, por seu papel na organização e liderança da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de 2025. O evento foi realizado apesar de uma lei nacional que proíbe explicitamente esse tipo de manifestação no país. A ação judicial, confirmada pelo gabinete do prefeito nesta quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, aprofunda significativamente o embate político entre a capital húngara e o governo do primeiro-ministro Viktor Orbán, que vem endurecendo restrições legais contra a comunidade LGBT nos últimos anos.

Detalhes da acusação e possível pena

Segundo a Promotoria de Budapeste, os procuradores solicitaram que Karácsony seja condenado por meio de um julgamento sumário, sem a realização de uma audiência tradicional. A acusação formal alega que o prefeito organizou e participou ativamente de um evento que havia sido expressamente vetado pelas autoridades policiais locais. Embora o valor exato da multa não tenha sido divulgado publicamente, a legislação húngara vigente prevê penas que podem chegar a até um ano de prisão para indivíduos que promovam ou incentivem a participação em atos proibidos pelas autoridades competentes.

Reação do prefeito e contexto do evento

Em resposta imediata às acusações, o prefeito Karácsony afirmou publicamente ter se tornado um réu orgulhoso. Em declarações postadas em suas redes sociais, ele destacou: Eles nem querem um julgamento, porque não conseguem compreender que, nesta cidade, nos levantamos em defesa da liberdade diante de um poder mesquinho e autoritário. Apesar da proibição oficial imposta pelo governo nacional, a 30ª edição da Parada do Orgulho, realizada em 28 de junho de 2025, reuniu centenas de milhares de participantes, configurando-se como uma das maiores manifestações do tipo já registradas na história do país.

O ato percorreu pontos centrais da capital húngara, atravessou a icônica ponte Erzsébet sobre o rio Danúbio e exibiu bandeiras do arco-íris junto a cartazes criticando diretamente as políticas do governo Orbán. Após o veto anunciado pelas autoridades nacionais, a prefeitura de Budapeste decidiu coorganizar a marcha como uma estratégia para tentar contornar as restrições legais. No entanto, a polícia manteve a proibição, e o primeiro-ministro advertiu organizadores e participantes sobre possíveis consequências legais severas.

Endurecimento legislativo e cenário internacional

A denúncia contra o prefeito ocorre em um contexto de crescente endurecimento da legislação húngara contra a comunidade LGBTQIA+. Em março de 2025, o Parlamento do país aprovou uma nova lei que:

  • Proíbe eventos públicos como a Parada do Orgulho.
  • Autoriza o uso de tecnologia de reconhecimento facial para identificar organizadores e participantes.
  • Estabelece multas que podem alcançar até 500 euros para os infratores.

O governo justifica essas medidas com o argumento de proteção às crianças, uma retórica já utilizada anteriormente para restringir direitos da população LGBT. Em 2021, a Hungria aprovou uma lei que veta a exibição ou promoção de conteúdos sobre homossexualidade ou identidade de gênero para menores de 18 anos, o que levou a Comissão Europeia a acionar o país na Justiça da União Europeia, alegando violações de direitos fundamentais.

Futuro do movimento e próximos passos

Mesmo diante das acusações criminais, os organizadores da Budapest Pride afirmaram que a próxima edição do evento já está marcada para 27 de junho de 2026. Em declaração oficial, o porta-voz da organização, Jojó Majercsik, reforçou: Continuaremos firmes na defesa das liberdades fundamentais às quais todos têm direito. Este posicionamento demonstra a determinação do movimento em resistir às pressões governamentais e manter a luta por direitos e visibilidade na sociedade húngara.

O caso do prefeito Karácsony simboliza um conflito político profundo na Hungria, onde autoridades locais desafiam abertamente políticas nacionais consideradas autoritárias por defensores dos direitos humanos. Este embate judicial pode influenciar não apenas o cenário interno, mas também as relações do país com instituições europeias, em um momento de tensões crescentes sobre democracia e liberdades civis no continente.