Uma nova pesquisa do instituto Quaest, realizada em parceria com a Genial Investimentos, traz um retrato detalhado da opinião pública brasileira sobre a recente ação militar dos Estados Unidos na Venezuela e suas repercussões no cenário político nacional. O levantamento, divulgado nesta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, foi realizado entre os dias 8 e 11 do mesmo mês.
Aprovação da ação e crítica à reação brasileira
Os dados revelam um cenário de opiniões divididas. Quase metade dos brasileiros (46%) aprova a operação militar norte-americana que resultou na prisão do presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Em contrapartida, 39% dos entrevistados manifestaram desaprovação, enquanto 15% não souberam ou preferiram não responder à questão.
No entanto, quando o foco se volta para a resposta do governo brasileiro, a avaliação se torna majoritariamente negativa. As declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a posição oficial do Itamaraty após o ataque foram consideradas erradas por 51% da população. Apenas 37% julgaram a reação como certa, e 12% não se posicionaram.
Neutralidade desejada e temor de ataque ao Brasil
A pesquisa também investigou qual deveria ser a postura ideal do Brasil diante de ações internacionais como a conduzida pelo governo do presidente Donald Trump. A vontade da maioria é clara: 66% dos brasileiros acreditam que o país deve se manter neutro em relação a esses ataques. O apoio explícito foi defendido por 18%, e a oposição, por 10%.
Um dado que chama a atenção é o sentimento de apreensão em relação a uma possível escalada do conflito. Mais da metade dos brasileiros (58%) admitiu ter medo de que os Estados Unidos realizem uma ação militar similar contra o Brasil. O receio é significativamente maior entre os eleitores que se declaram lulistas, atingindo 74%, enquanto entre os bolsonaristas o índice é de 57%.
Impacto nas eleições de outubro
O levantamento da Quaest buscou entender ainda se a postura do governo federal no caso venezuelano terá peso no pleito presidencial marcado para outubro deste ano. Para a grande maioria dos eleitores, a resposta é negativa. Um total de 71% afirmou que a atitude de Lula diante do conflito não importará no momento de decidir seu voto.
Por outro lado, menos de 20% dos entrevistados disseram que a posição do presidente faz com que prefiram a oposição na próxima eleição. Os números sugerem que, embora a gestão da crise internacional seja criticada por muitos, ela não deve ser, por si só, um fator decisivo no resultado das urnas, com outras questões domésticas potencialmente tendo maior peso.
O estudo reforça a complexidade da opinião pública brasileira em temas de política externa de alto impacto, mostrando uma população que, em sua maioria, prefere a neutralidade, mas que observa com preocupação os desdobramentos geopolíticos na região.