Uma pesquisa realizada meses antes da captura de Nicolás Maduro já indicava o sentimento majoritário na América Latina sobre seu governo. O levantamento, divulgado em 1º de novembro de 2025 pela Atlas/Intel em parceria com a Bloomberg, mostrava que a maioria dos cidadãos da região acreditava em um futuro melhor para a Venezuela sem o líder.
Os números da rejeição ao governo Maduro
Os dados são contundentes. De acordo com a pesquisa, que ouviu 6.757 adultos latino-americanos entre 22 e 28 de outubro de 2025, 73,7% acreditavam que a Venezuela seria um país melhor sem Nicolás Maduro no poder. A margem de erro do estudo era de um ponto percentual.
A impopularidade do presidente venezuelano ficou ainda mais evidente em outro índice. Maduro apareceu como o pior líder do país na percepção dos entrevistados, com um índice negativo impressionante de 76%. Apenas 12% das avaliações sobre ele eram positivas.
O apoio à intervenção militar e o desfecho
Um dado que ganha relevância após os eventos deste sábado, 3 de janeiro de 2026, é o apoio à ação militar externa. A pesquisa apontou que 53% dos entrevistados defendiam uma intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela.
Na época da divulgação do levantamento, em novembro de 2025, os ataques americanos se limitavam a embarcações venezuelanas. A incursão bélica mais ampla, com bombardeios em Caracas e outras cidades, que resultou na captura de Maduro por militares dos EUA, era apenas uma possibilidade.
Metodologia e abrangência do estudo
A pesquisa teve uma amostra robusta e focada. Do total de entrevistados, 2.777 eram venezuelanos, permitindo uma análise aprofundada da opinião dentro do país. Os outros 3.980 participantes eram de outras nações da América Latina, oferecendo uma perspectiva regional.
O trabalho de campo foi conduzido pela Atlas/Intel, e a divulgação dos resultados contou com a parceria da agência de notícias Bloomberg, dando grande visibilidade aos dados.
Um retrato do sentimento latino-americano
Os números vão além da simples avaliação do governo Maduro. Eles revelam um sentimento regional de esgotamento com a situação venezuelana e uma abertura, por parte de mais da metade da população, a medidas drásticas para mudar o cenário.
A pesquisa funcionou como um termômetro preciso da opinião pública meses antes da mudança radical no cenário político venezuelano. Os eventos de janeiro de 2026 parecem ser, aos olhos dos dados, a materialização de uma expectativa que já era majoritária na região.