Peru tem sétimo presidente em oito anos após destituição de José Jerí por tráfico de influência
Peru tem sétimo presidente em oito anos após destituição

Peru atinge marca de sete presidentes em oito anos após destituição de José Jerí

O Congresso do Peru destituiu oficialmente nesta terça-feira, 17 de fevereiro de 2026, o presidente interino José Jerí, marcando assim o sétimo chefe de Estado no país em um período de apenas oito anos. A decisão parlamentar foi tomada por acusações graves de "tráfico de influência", conforme investigações conduzidas pela Procuradoria-Geral peruana.

Contexto político e acusações contra Jerí

José Jerí, que anteriormente ocupava a presidência do Congresso, assumiu o poder executivo em 10 de outubro do ano passado, logo após a destituição da então presidente Dina Boluarte. Sua ascensão ocorreu em meio a uma onda intensa de protestos populares que demandavam combate à corrupção e redução da violência no território peruano.

O político interino tornou-se alvo de duas investigações distintas da Procuradoria-Geral, que apuravam supostas irregularidades durante seu breve mandato. Entre as alegações, destacam-se reuniões não divulgadas com interesses privados e intervenção direta em processos de contratação pública, configurando o crime de tráfico de influência.

Mecanismo da destituição e consequências imediatas

A destituição de Jerí foi realizada através de uma moção de censura aprovada por maioria simples no Congresso, um procedimento distinto do impeachment tradicional, que exige 87 votos favoráveis entre os 130 parlamentares. Sete pedidos formais de censura foram apresentados por partidos de oposição, tanto de esquerda quanto de direita, acusando o presidente interino de "má conduta funcional e falta de idoneidade" para o cargo.

Com a saída de Jerí, a Constituição peruana determina que um novo presidente do Congresso deve ser eleito para assumir temporariamente a chefia do Executivo, mantendo a instabilidade política que caracteriza o país nos últimos anos.

Histórico recente de instabilidade presidencial

O último presidente a concluir integralmente seu mandato no Peru foi Ollanta Humala, que permaneceu no poder de 2011 até 2016. Durante sua gestão, emergiram as investigações do escândalo envolvendo a construtora brasileira Odebrecht, acusada de financiar campanhas políticas em troca de favores em contratos públicos.

Humala e sua esposa, Nadine Heredia, enfrentaram consequências diretas desse caso, cumprindo prisão preventiva entre 2017 e 2018. Em 2025, Heredia solicitou e obteve asilo político no Brasil, com a concessão justificada pelo ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira como medida humanitária.

A destituição de José Jerí consolida um ciclo preocupante de instabilidade política no Peru, onde sete diferentes presidentes assumiram o poder em apenas oito anos, refletindo crises institucionais profundas e dificuldades na consolidação democrática. A sequência de mudanças abruptas no Executivo tem impactado diretamente a governabilidade, a economia e a confiança da população nas instituições peruanas.