Congresso do Peru aprova moção de censura e destitui presidente interino José Jerí
O Congresso do Peru destituiu nesta terça-feira, 17 de fevereiro de 2026, o presidente interino José Jerí, que estava sob duas investigações da Procuradoria-Geral por suposto "tráfico de influência". A remoção ocorreu por meio de uma moção de censura, aprovada por maioria simples, diferentemente do processo de impeachment que exige uma votação mais robusta entre os 130 parlamentares.
Instabilidade política se aprofunda com a destituição
Com a decisão, um novo presidente do Congresso deve ser eleito para assumir a chefia do Executivo, conforme determina a Constituição peruana. Este movimento aprofunda a instabilidade política que marcou a breve gestão de Jerí, que havia assumido o poder em 10 de outubro, após a destituição da então presidente Dina Boluarte, em meio a protestos massivos contra corrupção e violência no país.
Seu mandato era transitório e terminaria em 28 de julho, quando deveria transferir o cargo ao vencedor das eleições gerais marcadas para 12 de abril. No entanto, as acusações contra ele ganharam força nos últimos meses, levando à sua queda prematura.
Investigações da Procuradoria-Geral pesaram na decisão
Setepedidos de censura foram apresentados por parlamentares da oposição de esquerda e por partidos de direita contra Jerí, acusando-o de "má conduta funcional e falta de idoneidade". As investigações da Procuradoria-Geral foram um fator crucial nesse processo:
- Em janeiro, uma investigação preliminar foi aberta contra Jerí por suposto "tráfico de influência e patrocínio ilegal de interesses", após a revelação de uma reunião não divulgada com um empresário chinês que mantém negócios com o governo.
- Na sexta-feira anterior à destituição, uma segunda investigação foi iniciada pelo crime de "tráfico de influência", devido à suposta intervenção do político na contratação de nove mulheres para cargos no governo entre outubro e janeiro.
Essas investigações têm como objetivo determinar se o presidente exerceu influência indevida nessas nomeações, aumentando a pressão sobre sua gestão. Jerí negou todas as irregularidades e afirmou que não renunciaria, mas a votação no Congresso selou seu destino político.
Contexto de crise e próximos passos
A destituição de Jerí ocorre em um contexto de crise política prolongada no Peru, com sucessivas mudanças no poder e protestos populares exigindo transparência e combate à corrupção. A eleição de um novo líder pelo Congresso é vista como um passo necessário para tentar estabilizar o país, mas especialistas alertam para os desafios à frente.
Com a instabilidade persistente, o Peru enfrenta incertezas em sua governança, afetando áreas como economia e segurança pública. A atenção agora se volta para a escolha do próximo presidente interino e como ele lidará com as investigações em curso e as demandas da população.