Especialista analisa fortalecimento da parceria Brasil-China em contraste com política de Trump
Em uma análise aprofundada sobre as relações internacionais, um professor destacou a crescente robustez da parceria entre Brasil e China, que recentemente completou cinco décadas de existência. Segundo o especialista, essa aliança estratégica avança na contramão das políticas adotadas por Donald Trump, reforçando uma convergência que vai além do aspecto comercial para abraçar também dimensões políticas significativas.
Diálogo presidencial reafirma compromissos mútuos
Durante uma conversa telefônica que durou quarenta e cinco minutos, os presidentes Lula e Xi Jinping reafirmaram o apoio mútuo entre Brasil e China. O líder chinês, sem mencionar explicitamente o Conselho de Paz de Donald Trump, enfatizou que ambos os países atuam como forças construtivas para a manutenção da paz e da estabilidade global no cenário atual.
Xi Jinping ressaltou a importância de Brasil e China permanecerem firmes no lado correto da história, defendendo o papel central das Nações Unidas. Por sua vez, Lula destacou que as duas nações são fundamentais na defesa do direito internacional e do livre comércio, posicionamentos que contrastam com abordagens unilaterais.
Parceria celebra marco histórico e amplia afinidades
Paulo Velasco, professor de política internacional da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, explicou em entrevista que a parceria Brasil-China atingiu recentemente a marca de cinquenta anos. Ele observou que os países compartilham múltiplos espaços de atuação, incluindo a cofundação do Brics e a defesa conjunta do multilateralismo e do livre comércio.
"Brasil e China vão muito na contramão do que o Trump faz", afirmou Velasco, sugerindo que a postura atual dos líderes representa uma resposta direta aos posicionamentos de Donald Trump, que frequentemente violam os direitos internacionais. Como exemplo, citou a operação americana na Venezuela no início do ano, amplamente repudiada pelas diplomacias brasileira e chinesa.
Convergência robusta além do comércio
Economicamente, a China consolidou-se como o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009, com trocas que não apenas se intensificam, mas também evoluem politicamente. O professor destacou um avanço claro em termos de afinidades, entendimento mútuo e uma convergência cada vez mais sólida entre as nações.
"Vemos um avanço de maiores afinidades, maior entendimento e uma convergência cada vez mais robusta. E isso em partes é o efeito das posturas para lá de questionáveis de Donald Trump", concluiu Velasco, enfatizando que a relação transcende o aspecto econômico para incorporar uma dimensão política fortalecida, moldada em parte pelas controvérsias das políticas trumpistas.
Essa análise sublinha como a parceria estratégica entre Brasil e China se fortalece em um contexto global de polarizações, defendendo princípios como o multilateralismo e o livre comércio como pilares de uma cooperação internacional construtiva e duradoura.