A líder da oposição venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2025, María Corina Machado, fez um apelo urgente neste sábado, 3 de janeiro de 2026. Ela pediu que Edmundo González Urrutia assuma imediatamente a presidência da Venezuela, após os ataques militares dos Estados Unidos que resultaram na captura do presidente Nicolás Maduro.
"Chegou a hora da liberdade", declara oposição
Em uma nota intitulada "Chegou a hora da liberdade", María Corina Machado afirmou que González Urrutia, considerado vencedor das eleições presidenciais de 2024 pela oposição, deve tomar posse de seu "mandato constitucional" sem demora. Ela também exigiu que ele seja reconhecido como comandante em chefe das Forças Armadas Nacionais por todos os militares.
Machado, que foi impedida de concorrer nas eleições, mobilizou milhões de venezuelanos para apoiar a candidatura de González, mantendo um papel central como estrategista e líder moral da campanha opositora. O regime de Maduro declarou vitória nas eleições, mas a oposição e observadores internacionais denunciaram amplas irregularidades e fraude.
Captura de Maduro e escalada militar
Os ataques americanos ocorreram nas primeiras horas deste sábado em Caracas e arredores, com alvos também nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. Por volta das 2h da manhã (horário local), explosões foram ouvidas sobre a capital venezuelana.
Entre os locais atingidos estão:
- Fuerte Tiuna, a principal base militar de Caracas, que ficou completamente sem energia.
- Quartel de la Montaña.
- Base Aérea de La Carlota.
Segundo a CNN, Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores, foram retirados à força de seu quarto por militares americanos durante a madrugada. A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou não saber o paradeiro do casal e exigiu "prova de vida imediata" do governo dos Estados Unidos.
Em entrevista à Fox News, o presidente americano Donald Trump confirmou que Maduro está a bordo do navio de guerra USS Iwo Jima e segue para Nova York, onde será julgado. A secretária de Justiça dos EUA, Pam Bondi, declarou que o líder venezuelano "em breve enfrentará a força total da Justiça americana".
Acusações de narcoterrorismo e tensão internacional
Maduro foi indiciado pelo Distrito Sul de Nova York em 2020 por crimes graves, incluindo conspiração para narcoterrorismo e conspiração para importação de cocaína. O Departamento de Justiça americano, ainda no primeiro mandato de Trump, acusou-o de transformar a Venezuela em uma organização criminosa a serviço de narcotraficantes e grupos terroristas.
Uma das denúncias acusa Maduro e o líder do partido governista, Diosdado Cabello, de conspirarem com rebeldes colombianos para "inundar os Estados Unidos com cocaína", usando o narcotráfico como uma arma contra o país.
A tensão vinha escalando desde outubro, quando Trump revelou ter autorizado a CIA a conduzir operações secretas dentro da Venezuela. Os EUA também designaram o chamado Cartel de los Soles como organização terrorista estrangeira em novembro, oferecendo uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à captura de Maduro.
Um grande contingente militar americano foi deslocado para a região do Caribe, incluindo um porta-aviões, destróieres, caças F-35, um submarino nuclear e aproximadamente 6.500 soldados.
Entretanto, ações americanas na região têm sido criticadas. Dados das Nações Unidas do Relatório Mundial sobre Drogas de 2025 indicam que o fentanil, principal responsável por overdoses nos EUA, tem origem no México, não na Venezuela. Além disso, uma pesquisa Reuters/Ipsos mostrou que apenas 29% dos americanos apoiam o uso das Forças Armadas para matar suspeitos de narcotráfico sem devido processo judicial.
Enquanto isso, o futuro político da Venezuela permanece incerto, com a oposição pressionando por uma transição de poder imediata e o regime chavista prometendo resistência após a captura de seu líder máximo.