O Conselho de Segurança das Nações Unidas realizará uma sessão de emergência nesta segunda-feira, 5 de agosto, para discutir a ação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. A reunião está marcada para as 12h, no horário de Brasília.
Operação militar e consequências imediatas
Forças especiais norte-americanas prenderam Nicolás Maduro na madrugada do último sábado, 3 de agosto. A operação, que atingiu instalações militares, causou apagões em várias áreas da capital venezuelana, Caracas. A esposa de Maduro, Cilia Flores, também foi detida durante a ação.
O presidente venezuelano já se encontra em solo americano e sua primeira audiência judicial está agendada para as 14h (horário de Brasília) desta segunda-feira, perante o juiz federal Alvin K. Hellerstein, do Tribunal Distrital de Manhattan, em Nova York. Maduro e Flores responderão formalmente a acusações de conspiração para narcoterrorismo, tráfico internacional de cocaína e posse de armas de guerra.
Divisão internacional e reações
A convocação do Conselho de Segurança da ONU, formado por 15 membros, reflete a profunda divisão na comunidade internacional. Rússia e China, aliadas da Venezuela, já acusaram os Estados Unidos de violar o direito internacional. Em contraste, aliados europeus de Washington têm sido mais cautelosos em suas críticas.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou preocupação através de seu porta-voz, classificando a operação como a criação de “um precedente perigoso”. Especialistas em direito internacional também questionam a legalidade da ação, embora se espere que os EUA possam vetar qualquer medida condenatória no Conselho de Segurança.
Richard Gowan, analista do International Crisis Group, previu à Reuters que os aliados europeus dos EUA provavelmente se esquivarão de condenações diretas durante a sessão.
Acusações, sucessão e apelo por diálogo
O governo americano alega que Maduro lidera o “Cartel de los Soles”, uma poderosa rede de tráfico de drogas. A Casa Branca incluiu o grupo em sua lista de organizações terroristas, justificando o uso do aparato militar. No entanto, pesquisadores do tema contestam essa visão, descrevendo o cartel como uma “rede de redes” sem uma hierarquia rígida, da qual Maduro seria um dos principais beneficiários, mas não necessariamente o líder único.
No domingo, 4 de agosto, as Forças Armadas da Venezuela reconheceram a vice-presidente Delcy Rodríguez como chefe de Estado interina. No mesmo dia, Rodríguez divulgou uma carta aberta ao presidente americano Donald Trump, pedindo o fim das hostilidades e o início de um diálogo para estabelecer uma “agenda de colaboração”.
“Presidente Donald Trump: nossos povos e nossa região merecem paz e diálogo, não guerra”, escreveu a dirigente chavista, fazendo um apelo direto para evitar um conflito armado e defendendo um relacionamento baseado no princípio da não ingerência.