A Fundação Nobel emitiu um posicionamento oficial após a líder da extrema direita venezuelana, María Corina Machado, presentear o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com a sua medalha do Prêmio Nobel da Paz. A instituição deixou claro que o reconhecimento do prêmio permanece exclusivamente vinculado à pessoa laureada, independentemente do destino dado aos itens materiais.
O que a Fundação Nobel declarou
Em comunicado divulgado na sexta-feira, 16 de janeiro de 2026, a Fundação Nobel esclareceu os aspectos formais do prêmio. A instituição afirmou que o Prêmio Nobel é "inseparável" da pessoa que o recebe, mesmo que o diploma ou a medalha sejam entregues a terceiros. A declaração foi uma resposta direta ao gesto de Machado, que esteve na Casa Branca e entregou sua medalha a Trump.
A Fundação detalhou que, ao conceder o prêmio, são entregues três elementos distintos ao laureado:
- Uma medalha
- Um diploma
- Uma quantia em dinheiro, atualmente fixada em 11 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,4 milhões)
Embora esses itens materiais possam ter destinações diferentes – como doação a museus ou leilão para caridade –, o reconhecimento e a honraria do Nobel permanecem intransferíveis. A organização ressaltou que o laureado não pode compartilhar oficialmente o prêmio nem transferir o reconhecimento para outra pessoa após o anúncio.
Prêmio é definitivo e irrevogável
A Fundação foi enfática ao afirmar que o Prêmio Nobel da Paz não pode ser revogado em nenhuma circunstância. A decisão do comitê norueguês é definitiva e válida de forma permanente. A instituição também informou que não comenta ações posteriores tomadas pelas pessoas que receberam o prêmio, mas reafirmou que o laureado tem liberdade para dispor da medalha ou do diploma como desejar.
Donald Trump já havia manifestado publicamente o desejo de receber a honraria. No entanto, como o prêmio concedido a María Corina Machado se refere ao ano de 2024 – período em que Trump ainda não havia retornado à Presidência dos EUA –, não houve possibilidade de sua premiação naquela ocasião.
Contexto político e a relação Trump-Machado
A relação entre Donald Trump e María Corina Machado passou por altos e baixos. A deterioração ocorreu principalmente após a operação militar norte-americana que resultou no sequestro de Nicolás Maduro, então presidente da Venezuela. Após a incursão, Trump não ofereceu o apoio político imediato que Machado esperava.
Relatórios de inteligência dos EUA indicavam que a líder oposicionista não dispunha de apoio suficiente para governar a Venezuela após a captura de Maduro. Apesar das tensões, um encontro recente entre ambos na Casa Branca parece ter reacomodado as relações.
Após o encontro, Machado declarou que "conta com o presidente Trump para a liberdade da Venezuela" e expressou a esperança de "ser presidente da Venezuela no momento certo". Horas depois da reunião, Trump agradeceu o gesto em sua rede social, descrevendo o presente como "um gesto maravilhoso de respeito mútuo".
O episódio levanta questões sobre o uso simbólico de honrarias internacionais no cenário político e reafirma os protocolos rígidos que cercam um dos prêmios mais prestigiados do mundo.