A violenta repressão do governo iraniano a uma onda de protestos populares já causou a morte de pelo menos 648 manifestantes. O dado alarmante foi divulgado nesta segunda-feira, 12 de janeiro de 2026, pela organização Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega.
Um dos maiores desafios desde 1979
Os protestos, que começaram em 28 de dezembro devido a uma espiral inflacionária devastadora, representam um dos maiores desafios ao regime dos aiatolás desde a Revolução Islâmica de 1979. A moeda nacional, o rial, despencou para a marca histórica de 1,4 milhão por dólar em dezembro, inflamando o descontentamento popular.
Embora ainda não tenham atingido a escala dos levantes de 2022, os atos se espalham com velocidade vertiginosa pelo país. O regime se encontra em um momento de alta vulnerabilidade, pressionado por uma economia em crise, sanções internacionais devido ao seu programa nuclear e as consequências da guerra do ano passado com Israel e Estados Unidos.
O diretor da IHR, Mahmood Amiry-Moghaddam, fez um apelo urgente à comunidade internacional. "A comunidade internacional tem o dever de proteger os manifestantes civis contra assassinatos em massa cometidos pela república islâmica", declarou. A ONG alertou que o bloqueio de internet de quase quatro dias imposto pelas autoridades dificulta a verificação independente das informações.
Confronto verbal com os EUA e protestos nas ruas
A crise interna rapidamente se internacionalizou, com um acirrado confronto verbal entre o Irã e os Estados Unidos. O líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, acusou os manifestantes de agirem como "mercenários a serviço de estrangeiros" e em nome do presidente americano, Donald Trump. Khamenei também afirmou que as mãos de Trump "estão manchadas com o sangue de mais de mil iranianos", em referência a bombardeios anteriores.
Por sua vez, Donald Trump ameaçou intervir em Teerã em apoio aos protestos, renovando a possibilidade de uma ação militar em resposta à violência letal das forças de segurança iranianas. No domingo, ele afirmou que autoridades americanas podem se reunir com diplomatas do Irã e que mantém contato com a oposição.
Nas ruas, vídeos compartilhados por ativistas mostram cenas de confronto. Manifestantes em Teerã e outras cidades, atendendo a chamados do príncipe herdeiro exilado Reza Pahlavi, gritam slogans como "Morte ao ditador" e "Esta é a última batalha, Pahlavi retornará", em meio a destroços e fogueiras.
Discurso de guerra e abertura para diálogo
Em meio à escalada, o governo iraniano emitiu sinais contraditórios. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou nesta segunda-feira que o país está aberto a negociações, mas também "pronto para a guerra". A declaração reflete a delicada posição de Teerã, que tenta conter a rebelião interna enquanto maneja as ameaças externas.
A situação permanece extremamente volátil. O balanço de mortes, que era de mais de 500 no final de semana, subiu para 648, indicando que a repressão não arrefeceu. A combinação de uma crise econômica profunda, uma população exasperada e um regime sob pressão máxima cria um cenário perigoso e imprevisível para o futuro do Irã.