Comoção em Mineápolis após morte de cidadão americano em protesto contra imigração
Os agentes federais envolvidos na morte de um manifestante em Minneapolis, nos Estados Unidos, foram transferidos para outra cidade após o incidente que chocou a comunidade local. Alex Pretti, de 37 anos, morreu durante um protesto contra as políticas de imigração do presidente Donald Trump, marcando a segunda morte de um cidadão americano causada por policiais de imigração em pouco mais de duas semanas.
Detalhes do incidente registrados em vídeo
Os repórteres Nilson Klava e Alex Carvalho foram até a cidade e acompanharam a comoção entre os moradores. Foram dez tiros em apenas cinco segundos, tudo registrado por câmeras de celular de diferentes perspectivas. Gravar as abordagens se tornou uma forma encontrada por muitos imigrantes e americanos para tentar se proteger e denunciar ações consideradas agressivas do ICE, a agência federal de imigração americana, e da Patrulha da Fronteira.
Nos vídeos, Alex Pretti aparece no meio da rua segurando apenas um celular. Ele se coloca entre os manifestantes e um agente, gerando um tumulto. O agente usa spray de pimenta e joga Alex no chão, com outros agentes chegando para tentar imobilizá-lo. Alex é agredido várias vezes antes que, oito segundos depois, alguém alerta que ele estaria armado.
Ao ampliar a imagem, é possível ver o momento em que um dos agentes retira uma arma da cintura de Alex e se afasta da confusão. Em seguida, outro agente saca a arma e atira contra Alex cinco vezes, seguido por mais cinco tiros.
Versões conflitantes e homenagens emocionadas
A secretária do Departamento de Segurança Interna do governo Trump, Kristi Noem, acusou Alex de terrorismo doméstico. Disse que os agentes tentaram desarmá-lo, que ele reagiu violentamente e que os disparos foram feitos em legítima defesa. Todos os vídeos, no entanto, contam uma história diferente.
Alex tinha licença para portar arma, mas, no momento da abordagem, segurava apenas o celular. Os agentes descobriram a arma quando ele já estava imobilizado no chão. Um deles havia retirado a pistola de Alex quando o outro começou a atirar.
Alex Pretti era cidadão americano e trabalhava como enfermeiro de UTI em um hospital de Minneapolis que faz parte do sistema federal de saúde para veteranos das Forças Armadas. Um vídeo mostra uma homenagem feita por Alex a um veterano que morreu no hospital vítima de câncer no pulmão.
Desta vez, foi a comunidade de Minneapolis que prestou homenagem a Alex após a morte. Mesmo com a temperatura de –23 °C, moradores deixaram flores, velas acesas e mensagens emocionadas. Em uma delas, lia-se: “isso não é a américa”. Em outra: “ele deu a vida para proteger a nossa liberdade”.
Reação da comunidade e contexto político
Lauren, que mora a cerca de 30 minutos de Minneapolis, decidiu preparar sanduíches e chá quente para quem participou da vigília. Por toda a cidade, cartazes pediam a saída do ICE, com uma frase dizendo: “os imigrantes fazem a América grande”.
Em Minneapolis, os principais alvos dos agentes federais são imigrantes da Somália, chamados de “lixo” pelo presidente Donald Trump em dezembro. Vincent, um dos manifestantes, disse esperar que a morte de Alex provoque uma mudança na política americana, começando pelas eleições de novembro.
“Eles atiraram nele enquanto ele estava no chão, totalmente desarmado. Foi um assassinato. Vim aqui prestar uma homenagem. Eu espero que a morte dele abra os olhos dos políticos”, declarou.
Operação de imigração sem precedentes
Cerca de 3 mil agentes do ICE e da Patrulha da Fronteira foram deslocados pelo governo Trump para Minneapolis e outras partes do estado de Minnesota, na maior operação de imigração da história do país. O governador Tim Walz e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, ambos da oposição democrata, entraram com uma ação na Justiça pedindo a retirada dos agentes federais.
Duas semanas antes, a cidadã americana Renee Good foi morta por um agente do ICE em Minneapolis. Uma semana depois, um venezuelano foi baleado na perna. Mais recentemente, uma criança de cinco anos foi detida junto com o pai, ambos do Equador.
Os casos aumentaram a revolta, levando vários estabelecimentos a fecharem as portas e milhares de pessoas a saírem às ruas na sexta-feira. Até agora, o presidente Donald Trump não deu nenhum sinal de que pretende suspender a operação.
Investigação em andamento e obstáculos
A investigação ainda não tem responsável definido. O governo estadual acusa os agentes federais de bloquearem o acesso à cena e às evidências do crime, criando mais um obstáculo na busca por justiça para Alex Pretti e sua família.