Morre Jesse Jackson, pastor e ativista norte-americano pelos direitos civis
Jesse Jackson, o renomado pastor e ativista norte-americano, faleceu nesta terça-feira, 17 de fevereiro de 2026, aos 84 anos. A notícia foi confirmada por sua família através de uma nota oficial, que informou: "Ele morreu hoje em paz rodeado pela sua família". Jackson era amplamente reconhecido por seu compromisso inabalável com a justiça, a igualdade e os direitos humanos, elementos que ajudaram a moldar um movimento global pela liberdade e dignidade.
Legado de luta e inspiração
Nascido em um período marcado pela segregação racial nos Estados Unidos, Jesse Jackson participou de alguns dos episódios mais significativos da luta pela igualdade racial no país. Ele esteve ao lado de Martin Luther King em Memphis, em 1968, quando o líder dos direitos civis foi assassinado, um momento que solidificou sua dedição à causa. Sua família descreveu-o como um "artífice incansável da mudança", que deu voz aos que não a tinham e deixou uma marca indelével na história.
Jackson destacou-se como ativista pelos direitos civis e concorreu duas vezes à nomeação presidencial do Partido Democrata dos EUA, em 1984 e 1988. Essas campanhas não apenas ampliaram a plataforma política democrata para as lutas da comunidade negra, mas também mobilizaram milhões de pessoas para se recensearem e votarem, reforçando seu impacto na democracia americana.
Saúde e continuidade da militância
Nos últimos anos, Jackson enfrentou desafios de saúde, tendo anunciado em 2017 que lutava contra a doença de Parkinson, o que limitou suas aparições públicas. No entanto, mesmo com esses obstáculos, ele continuou a manifestar-se contra a injustiça racial, inclusive durante a era do movimento Black Lives Matter. Em um discurso em Minneapolis, antes da condenação do policial envolvido na morte de George Floyd, ele afirmou: "Mesmo que ganhemos, isso será um alívio, não uma vitória. Continuam a matar o nosso povo. Parem a violência, salvem as crianças. Mantenham a esperança viva".
Sua família ressaltou em nota: "A sua crença inabalável na justiça, na igualdade e no amor inspirou milhões de pessoas e pedimos que honrem a sua memória continuando a luta pelos valores que pautaram a sua vida". Eles também destacaram seu papel como líder ao serviço dos outros, não apenas da família, mas dos oprimidos e esquecidos em todo o mundo.
Controvérsias e impacto duradouro
A carreira de Jesse Jackson também foi marcada por polêmicas, como em 1984, quando usou um termo antissemita para se referir a Nova York, e em 2005, quando apoiou o cantor Michael Jackson durante o julgamento por abuso sexual de menores. Apesar desses momentos, seu legado permanece centrado na defesa incansável dos direitos humanos e na ampliação da representação política para minorias.
Com informações da agência Lusa, a história de Jesse Jackson serve como um testemunho do poder da resistência e da esperança em face da adversidade. Sua morte encerra uma era, mas seu chamado à ação continua a ecoar, inspirando novas gerações a lutar por um mundo mais justo e igualitário.